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A vida das mulheres na Arábia Saudita 22

Feb27

Mulheres sauditas caminhando na rua

Depois de fazer uma breve introdução sobre a Arábia Saudita, vou falar um pouco sobre como a vida das mulheres é, o que pensam e como são tratadas por lá.

Atenção: este post conterá opiniões fortes e poderá gerar uma série de polêmicas sobre como eu enxergo a coisa.

O Abayah que deve ser utilizado por todas as mulheres, sauditas ou não

O Niqäb e a Burqa

As mulheres sauditas devem usar sempre a vestimenta completa, que inclui o “Abayah”, que seria o vestido, que cobre desde o ombro até seus pés. Também tem o “Niqäb” que é o véu que cobre todo seu cabelo e rosto, deixando somente os olhos

descobertos. Tem ainda a “burqa”, que é a mais conhecida por aqui, e todos confundem com a “Niqäb”. A “burqa” cobre o rosto e cabelo por completo, deixando um véu, não transparente, na frente dos olhos. Toda esta vestimenta é imposta pelas leis arábes, e são muito semelhantes a toda vestimenta das mulheres do golfo, mas um pouco diferente. Nos vestidos, existem decorações tribais, moedas, apliques, e outros adornos.

As mulheres que são ricas, possuem uma linha exclusiva de vestidos de marcas famosas, grifes italianas, com muito luxo, ouro e pedraria. Afinal, ser uma mulher saudita, não significa estar fora da moda e não poder apreciar todo o conforto que as grandes marcas cobram por preços bem altos.

Mulher sendo punida com pena de morte.

Mulheres não podem dirigir. Até onde eu saiba, não existe uma lei específica que proíba, mas a razão da restrição é muito simples. Mulheres não podem falar com homens que não sejam de sua própria família (somente parente até segundo grau), o que no final, acaba incluindo apenas seu marido, seus filhos e seu pai. Como ela não pode falar com homens, caso ela seja parada por um policial, ela acaba sendo presa por este mesmo policial ou até mesmo pela polícia religiosa, chamada de mutawa’a.

Caso a mulher seja vista conversando com um homem a qual ela não deveria, ela vai presa pela mutawa’a e é obrigada a assinar confissão do erro cometido, e pode passar meses ou até mesmo anos presa por este simples delito. Esse comportamento é levado muito a sério por todos, incluindo a própria família, que pode denunciar caso a veja conversando com um homem desconhecido, mesmo que seja em local privado (talvez isso seja até pior na cabeça deles). Houve um caso de uma mulher que estava em uma loja da Starbucks do shopping que eu frequentava mais. Ela, dona de uma empresa, estava sem energia elétrica no escritório e precisava fazer uma reunião. Sentou-se na área destinada a mulheres acompanhadas com um executivo de outra empresa, e fazia uma reunião, com seu laptop, e completamente vestida com o Abayah e o Niqäb. Membros da mutawa’a a questionaram quem era este homem com ela, e ela explicou sua história. Não houve perdão, ela foi levada para a delegacia de Riyadh (onde eu morava), foi obrigada a assinar a confissão de culpa e foi setenciada a anos de prisão.

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Também houve o caso de uma jovem que foi violentamente estuprada por uma gangue, e foi condenada a centenas de chibatadas e vários anos de prisão. Tempos depois, o Rei Abdullah reconheceu que foi errado com ela, mas não deixou de dizer que a pena foi justa. Uma puta contradição!

Obviamente, não tive a oportunidade, e pra ser sincero, nem mesmo o desejo, de conversar com qualquer mulher por lá. O fato de estar em locais públicos com diversas mulheres em volta me deixava tenso, com medo da mutawa’a, com medo de ser preso e levar umas chibatadas. (Depois que voltei e refleti sobre como eu, como brasileiro era tratado por lá, penso que talvez nada tivesse acontecido, mas teria sido um baita susto).

E o que as mulheres mais fazem na Arábia Saudita? Dou um doce para quem acertar!

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