No caminho para a deliciosa cidade de Chefchaouen 1
Chefchaouen é a minha cidade favorita, sem dúvida. A cidadezinha toda azul lavado no alto das montanhas, com clima bem de cidade do interior aqui do Brasil, com temperatura agradável, com uma calma… A cidade foi fundada em 1471 no interior de um forte, que ainda hoje existe, construído por Mouros exilados de Espanha, forte este com o objetivo de resistir a sucessivas invasões portuguesas ao norte de Marrocos. A cidade foi conhecida por ter a maior concentração de Mouros e Judeus, que procuravam refúgio nas montanhas depois das conquistas espanholas na idade média. Em 1920 Espanha invadiu Chefchaouen e integrou-a como parte da Marrocos Espanhola.
Chefchaouen é muito conhecida, principalmente entre os Europeus, pela extensa plantação de maconha que ficam em montanhas próximas. É a cidade mais próxima que se pode ficar hospedado de forma tranquila. É muito bem frequentado por mochileiros europeus e americanos, além dos próprios marroquinos atrás de hasish. Vi europeus colocando pedras inteiras de hasish em camisinhas e engolindo para poder sair do país. A vigilância é intensa com turistas nas fronteiras. Cachorros são levados no entorno de sua bagagem para verificar se alguém tá levando algum hasish com ele.
A primeira vez que eu fui em Chefchaouen já foi logo no primeiro final de semana que estava estabelecido por lá. Queria muito conhecer a cidade por tantas indicações positivas que tinha recebido e queria já logo meter o pé na estrada em uma longa distância, afinal, essa é uma ótima maneira de conhecer parte do país, é cruzando ele logo!
Pois bem, eu e Joãozinho ainda estavámos hospedados no Hilton na época e alugamos um carro ali mesmo com a Hertz. Para infelicidade geral da nação só tinha um Nissan automático, super silencioso e com uma super potência disponível. Ó mundo cruel! Não lutamos muito e aceitamos a oferta. Passamos o cartão de crédito deixando reservado o valor de todas as diárias. Era algo em torno de US$ 50 por dia, e era apenas um final de semana, então era uma pechincha por uma trip que valeria a pena, além de uma segurança para quem ainda não conhecia nada por lá. Trens diretos não existem, já que a cidade fica nas montanhas, somente indo para Tetouan e de lá, chegando no horário certo, pegar um ônibus ou um taxi compartilhado para Chaouen. Eu toparia facilmente a aventura, apesar do tempo corrido, mas meu amigo é um super fresco então ele não topou.
Depois eu fui na Conciérge do hotel buscar indicações de como sair de Rabat para lá, o cara me olhou com um olhar torto do tipo “o que será que ele quer fazer lá?”. Imagina! Eu estava em um hotel onde os maiores executivos do mundo se hospedam e um jovem pergunta como chegar a Chefchaouen, ao invés de perguntar sobre o melhor restaurante da cidade. Ele me deu explicações meio atravessadas, então resolvi usar o guia e seguir viagem. Infelizmente naquela época não existia GPS automotivo cobrindo Marrocos, então fomos na coragem mesmo.
Rabat no geral é bem sinalizada, então de posse do mapa e com noções de direção em estrada, olhando placas de cidades próximas ou códigos de estradas próximas, com um mapa é muito fácil viajar por Marrocos. Acredite! É fácil mesmo! Isto sempre me lembra uma vez um bloco do Fantástico sobre como viajar de carro pelo Brasil e eles propuseram que pessoas de diferentes cidades, tentassem chegar em algum ponto turístico da outra cidade, somente utilizando mapas. Resultado: os paulistas praticamente queriam uma placa na entrada da Avenida Brasil dizendo passo a passo como chegar no Cristo Redentor. Faça-me o favor! O ideal é sempre olhar o sentido das placas para cidades que vão ficar no caminho de onde você quer ir. Se a cidade que você quer ir é gigantesca ou muito turística, certamente terá uma placa indicando qual o caminho tomar, mas não terá muito pelo caminho, vá seguindo em direção as cidades do caminho. (Se tiver outras dicas, deixa aí nos comentários!)
Bom, saímos de Rabat por volta de meio dia, pegamos a auto estrada N1 subindo até a cidade de Kenitra, até chegar no cruzamento das auto estradas N1 e N4, virando à direita, mas continuando na N1, passando pelas cidades de Morhane, Sidi-Allal-Tazi, Souk-Telata-du-Rharb, Souk-el-Arba-du-Rharb, e virando em sentido a Ouezzane, passando por uma estrada local com várias vilas. Voltamos a auto estrada indo em direção ao norte, passando por Brikcha e finalmente chegando a estrada que nos levaria a Chefchaouen. Bom, muito tranquilo. Placas indicavam corretamente onde estava Chefchaouen, a cidade escondida nas montanhas.
Chegamos em Chefchaouen por volta das 17h, muito porque parávamos pelo caminho. A viagem pela estrada até lá é outra viagem dentro da viagem. São paisagens incríveis e dá para ver como Marrocos tem uma terra fértil ao norte do país. São quilômetros de plantações de arroz, milho, trigo, e várias outras frutas e vegetais. Diversas estufas de plantação de arroz dão um tom de centro de pesquisa de ETs à lá Arquivo X. Sério! Era a sensação que eu tinha durante a viagem vendo aquelas estufas gigantescas todas brancas e fechadas no meio de um monte de verde. Será que eu tava delirando?
A cidade de Ouezzane é uma história à parte. A entrada da cidade é linda, mas olhando para cima, com cada casa em uma cor diferente, tijolos aparecendo, me lembrava muito as comunidades carentes aqui do Rio de Janeiro que se estabeleceram em montanhas (sendo o mais politicamente correto, óia!). Ouezzane é bem conhecida por ter sido uma capital espiritual do Islamismo e casa de muitos dos pilares do Sufismo (corrente mística e contemplativa do Islamismo). Nas minhas pesquisas planejando a trip vi que Ouezzane é boa se eu estivesse embarcando de ônibus entre Chefchaouen e a costa, caso eu quisesse vir descendo por toda a costa de ônibus. Coisas de planejamento de viagem.
Voltando a Chefchaouen, assim como cada cidade de marrocos, tem sua própria cor. A de Chaouen (como é carinhosamente apelidada) é o azul lavado, com todas suas casas pintadas de um azul bem claro, com outras partes em branco, normalmente as superiores, tendo origem na comunidade judaica. A medina é pequena e suas vielas são bem estreitas. É um sobe e desce toda hora. Nas medinas existem comércios em geral, além é claro, das casas dos moradores, mas normalmente as grandes áreas de moradia não possuem comércio e são facilmente identicáveis, pois as ruas são mais escuras, bem estreitas e normalmente com pessoas conversando na porta de suas casas. Vale citar, que como manda os bons costumes árabes, mesmo nessa cidade bem colada com a Europa, homens com homens, mulher com mulher.
Durante a alta temporada (verão europeu) a primeira coisa que você vai perceber quando chegar na cidade é a enorme quantidade de marroquinos oferecendo seus serviços: hospedagem, estacionamento, guia, restaurantes, compras, tudo! Um verdadeiro pânico de início, porque eles simplesmente rodeiam o seu carro, são vários! Um verdadeiro ataque pela sua atenção e claro, seu dinheiro. Eu não tinha entendido nada ainda e fiquei achando que estava rolando algum tipo de protesto que eu não estava sabendo. Mas como saber, né? Eu só estava lá havia cinco dias.
Por hoje é só pessoal. Aguardem os próximos episódios sobre Chefchaouen e sua relação com o hasish e muito mais sobre Marrocos.
Se tiverem alguma dúvida, não deixem de me perguntar nos comentários!














































