Companhias aéreas esperam crescer em 2009 1
É alta a temperatura no setor de aviação. Não só porque os executivos da área ignoram a crise e esperam crescer neste ano (na Gol, por exemplo, o vice-presidente de marketing e serviços Tarcísio Gargioni projeta uma expansão de 5% no número de passageiros no mercado doméstico). Mas também, e principalmente, porque há uma nova companhia nos céus brasileiros. Com a meta diferencial de oferecer voos diretos – no momento, porém, ainda há escalas – a preço de viagens de ônibus, a Azul já mobiliza a concorrência. No início de fevereiro, a TAM abriu uma rota para fazer frente a ela: a Porto Alegre-Campinas-Salvador. “Foi uma reação”, admite o comandante David Barioni Neto, presidente da companhia. A TAM, assim como a Gol, ofereceu, no mesmo período, descontos em trechos cobertos pela novata, uma tática que pode se repetir. A Azul comemora. “Isso mostra que o nosso produto está incomodando e dinamizando o mercado, o que é bom para o cliente”, diz o presidente da empresa, Pedro Janot.
A se levar em conta a querela sobre o Santos Dumont, onde a Azul pretende operar mediante a derrubada dos limites que restringem o aeroporto à ponte Rio-São Paulo, e apesar dos protestos da Gol e especialmente da TAM, a guerra está em plena evolução, e tem tudo para esquentar ainda mais. “Se for necessário, vamos mobilizar outros aviões para concorrer com a Azul”, afirma Barioni Neto. Já Gargioni, da Gol, avisa: “Vamos acrescentar voos onde a demanda definir.” Para Janot, essa movimentação “faz parte do jogo”, mas é cedo para saber aonde as rivais vão chegar. Além de mudar suas estratégias para colocar aeronaves em novas rotas, a concorrência teria de praticar preços semelhantes aos da Azul, que acaba de lançar uma tarifa a preço de ônibus para quem adquirir passagem com trinta dias de antecedência.
E não seriam poucas as rotas para as quais a concorrência teria de migrar a fim de neutralizar a Azul. O objetivo da empresa é aterrissar em 22 cidades brasileiras até o final do ano e em 35 até 2013. E, além de ampliar a malha aérea, ela quer aumentar a frequência de voos entre os pontos escolhidos. Em cinco anos, serão 78 jatos da Embraer, dos modelos 190 e 195, sempre em trajetos domésticos – mercado internacional, só mais tarde. A Azul começou a operar em dezembro e, antes do Carnaval, com sete aviões, já atingia seis cidades do país: Campinas, Salvador, Porto Alegre, Curitiba, Vitória e Recife. Em 18 de março, a companhia deve chegar a Fortaleza e, oito dias depois, a Manaus. Em 1º de abril, aportará em Navegantes, cidade do polo industrial de Santa Catarina. No dia seguinte, colocará no ar a nova ponte aérea Rio-São Paulo, que vai ligar a capital fluminense à paulista por Viracopos, aeroporto em que a Azul atua – e não exatamente por opção. “Quem não quer operar em Congonhas? O problema é que o aeroporto tem todos os slots (os horários para voar) fechados. A Gol e a TAM têm juntas mais de 90% do mercado”, ressalta Janot.
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