Blog do Viajante

Tag arabia saudita

A vida das mulheres na Arábia Saudita – Parte 2 – Respondendo Perguntas 8

Mar3

Olá pessoas,

bem legal ver a galera perguntando e expondo suas idéias neste assunto controverso que é a situação das mulheres na Arábia Saudita.

Quem ainda não leu os primeiros posts sobre a Arábia Saudita, seguem os links:

Por onde começar a falar da Arábia Saudita?

Uma volta por Riyadh, a capital da Arábia Saudita

A vida das mulheres na Arábia Saudita

saudi-1

Mas vamos lá respondendo as perguntas feitas no post anterior. Preferi responder através de um novo post do que responder direto pelos comentários, pois não sei se irão lá olhar se tem resposta.

gerk
fevereiro 28th, 2009 at 14:00

Existe uma polícia só para vigiar homens e mulheres de acordo com os costumes árabes? E em relação as outros tipos de crime como roubos (sem ser do Governo), acontece muito?

Essa questão das mulheres, pra mim, não faz muito sentido. Do mesmo jeito que aqui temos homens que preferem muito mais uma mulher com quem consiga trocar idéias, na Arábia, mesmo com todas essas leis, burcas, niqab etc existem gangues que estupram mulheres.

Sim, a polícia religiosa verifica os costumes arábes. Esta é a chamada mutawa’a, e ela não se responsabiliza por qualquer outro tipo de segurança no país. Existe sim a polícia saudita que controla crimes, contrabandos, narcotráfico, e qualquer outra coisa. Além, é claro, das forças militares que estão entre as mais bem equipadas do mundo.

Não, o governo não rouba o povo. Na real, eles não precisam disso, porque eles nadam em petróleo dinheiro. E eles dão MUITO dinheiro para o povo, que por alguma razão tenha perdido tudo. Como falei lá no primeiro post da Arábia Saudita, eles não cobram impostos sobre absolutamente NADA. Daí você já tira que eles não roubam o povo. Viva o PetroMoney.

ORION
março 2nd, 2009 at 5:49

Qualquer ambiente de Repressão Sexual, é uma fábrica de Peversões.
Ou você acha que não existe prazer envolvido nas chibatadas e na submissão?
O Chicote como extensão do falo!

O Islã como palavra em arábe por si só já significa submissão. Submissão ao deus Alah.

Também tenho que lembrar que o castigo de chibatadas não é somente para mulheres, mas para homens também. É um castigo sobre algo errado que se faz, não sobre seu gênero sexual.

Não vejo esta tal submissão como algo planejado para ser imposto. Não há uma interpretação homogênea da religião, onde as mulheres são percebidas como irremediavelmente submissas às leis divinas. O que mostra-se claro é o fato de que os países muçulmanos apresentam não só diferenças culturais marcantes entre si, mas também internamente. A interpretação e o enfoque privilegiado dos preceitos religiosos estarão condicionados ao grupo que estiver no poder.

Aí e eu te pergunto, se uma cultura, como a árabe viola, os direitos humanos, ela deve ser invadida pela onu e pelos estados unidos? Não se ela tiver petróleo.

Tudo está numa questão de interpretação. Direitos humanos basicamente foi pensado e escrito pelo mundo oriental, um tanto quanto gerenciado pelos EUA, para determinar o que pode ou não ser feito a uma pessoa.

Pois bem, concordo que a assinatura do termo de Direitos Humanos trouxe uma série de avanços para o relacionamento da sociedade, mas não é perfeita e atende principalmente os interesses de quem quer mandar, e não do povo que não manda nada.

Uma série de outros países também não respeitam a constituição dos direitos humanos, e a principal delas é a China. E a China não tem petróleo. Porque não invadem lá e explodem tudo? Olha, a Arábia Saudita mata MUITO MENOS gente por suas punições do que a China. Mas MUITO MENOS mesmo. E olha, que para ser condenado à morte precisa de muito motivo. Vou falar sobre isso também em breve.

Também tenho que lembrar que o Iraque é lotado de petróleo, e os EUA foram lá, invadiram, destruíram e mataram. Foi pelo petróleo? Ou foi pelo poder? Ou ainda pela birra de Bush-filho que quando mais novo viu Bush-pai se recusar a invadir e pegar o Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo, e foi isso que influenciou a guerra da Iraque?

Não estou discutindo se estas estão corretas ou não. A questão é que cada país tem seus ideais, e a pena de morte na Arábia Saudita é basicamente uma questão de entendimento que a pessoa se tornou impura e incapaz de conviver em sociedade e de acordo com os mandamentos muçulmanos, que pregam muito mais respeito, do que outra coisa.

Porém se a cultura deles é mortalmente ofensiva para mim, a minha cultura é mortalmente ofensiva para eles. Como Julgar?

Esta é a nossa impressão quando conhece um puco mais sobre a cultura muçulmana e saudita. Pelo contrário, há um respeito gigantesco pela diferença cultural por parte deles. Infelizmente, no geral no ocidente, há um desrespeito e despreparo para entender a origem disso tudo, e simplesmente aceitar que cada país tem sua cultura, seus ideias, e não tem que ser igual aos outros.

Lembro que cheguei a exibir fotos e vídeos de raves no Brasil, mulheres quase sem roupa, carnaval, eventos em geral pelo Brasil, e mais um monte de coisa da nossa cultura. Além é claro dos dribles mais fantásticos dos nossos jogadores brasileiros (mas esses, a maioria eles já conheciam. Eles são completamente fascinados pelo futebol do Brasil). Houve um interesse, conversa, questionamento. Procuraram entender nossa cultura, e em nenhum momento senti qualquer tipo de represália ou “olho torto” para isso. Somente é tenso falar em Israel, bem como em qualquer outro país arábe.

Acho que a chave da questão está no que pensam as mulheres…
A chave está em saber se ela concordam com isso. Não é aceitam isso porquê a aceitação pode ser coagida. A chave está em saber se elas acreditam no valor desses valores.
Eu acredito que sejam imposições e que não exista nada de consensual..

As mulheres já conquistaram muita coisa. Vou falar ainda esta semana dos direitos conquistados pelas mulheres, o que elas pensam, e o que ainda falta conquistar.

Suane
março 2nd, 2009 at 6:27

Uma dúvida Claudio,

Se uma mulher ficar doente, ao procurar um hospital ela só poderá ser atendida por um homem? Mesmo que esteja MUITO mal?

E exames simples, tipo oftalmo, ortopedista, e afins. Elas só podem ser atendidas por médicas?

Não há restrições neste caso, pois estão em locais públicos. Mas normalmente, os médicos são estrangeiros. Em raríssimas exceções são sauditas. Sempre acompanhadas de seu marido/filho/pai, claro.

Bom, encerro este post por aqui. Quero ver mais gente discutindo sobre estes pontos e o que pensam. Afinal, qual a sua opinião sobre isso tudo?

Mais fotos da Arábia Saudita

continue lendo »

A vida das mulheres na Arábia Saudita 21

Feb27

Mulheres sauditas caminhando na rua

Depois de fazer uma breve introdução sobre a Arábia Saudita, vou falar um pouco sobre como a vida das mulheres é, o que pensam e como são tratadas por lá.

Atenção: este post conterá opiniões fortes e poderá gerar uma série de polêmicas sobre como eu enxergo a coisa.

O Abayah que deve ser utilizado por todas as mulheres, sauditas ou não

O Niqäb e a Burqa

As mulheres sauditas devem usar sempre a vestimenta completa, que inclui o “Abayah”, que seria o vestido, que cobre desde o ombro até seus pés. Também tem o “Niqäb” que é o véu que cobre todo seu cabelo e rosto, deixando somente os olhos

descobertos. Tem ainda a “burqa”, que é a mais conhecida por aqui, e todos confundem com a “Niqäb”. A “burqa” cobre o rosto e cabelo por completo, deixando um véu, não transparente, na frente dos olhos. Toda esta vestimenta é imposta pelas leis arábes, e são muito semelhantes a toda vestimenta das mulheres do golfo, mas um pouco diferente. Nos vestidos, existem decorações tribais, moedas, apliques, e outros adornos.

As mulheres que são ricas, possuem uma linha exclusiva de vestidos de marcas famosas, grifes italianas, com muito luxo, ouro e pedraria. Afinal, ser uma mulher saudita, não significa estar fora da moda e não poder apreciar todo o conforto que as grandes marcas cobram por preços bem altos.

Mulher sendo punida com pena de morte.

Mulheres não podem dirigir. Até onde eu saiba, não existe uma lei específica que proíba, mas a razão da restrição é muito simples. Mulheres não podem falar com homens que não sejam de sua própria família (somente parente até segundo grau), o que no final, acaba incluindo apenas seu marido, seus filhos e seu pai. Como ela não pode falar com homens, caso ela seja parada por um policial, ela acaba sendo presa por este mesmo policial ou até mesmo pela polícia religiosa, chamada de mutawa’a.

Caso a mulher seja vista conversando com um homem a qual ela não deveria, ela vai presa pela mutawa’a e é obrigada a assinar confissão do erro cometido, e pode passar meses ou até mesmo anos presa por este simples delito. Esse comportamento é levado muito a sério por todos, incluindo a própria família, que pode denunciar caso a veja conversando com um homem desconhecido, mesmo que seja em local privado (talvez isso seja até pior na cabeça deles). Houve um caso de uma mulher que estava em uma loja da Starbucks do shopping que eu frequentava mais. Ela, dona de uma empresa, estava sem energia elétrica no escritório e precisava fazer uma reunião. Sentou-se na área destinada a mulheres acompanhadas com um executivo de outra empresa, e fazia uma reunião, com seu laptop, e completamente vestida com o Abayah e o Niqäb. Membros da mutawa’a a questionaram quem era este homem com ela, e ela explicou sua história. Não houve perdão, ela foi levada para a delegacia de Riyadh (onde eu morava), foi obrigada a assinar a confissão de culpa e foi setenciada a anos de prisão.

raped_woman_lashing

Também houve o caso de uma jovem que foi violentamente estuprada por uma gangue, e foi condenada a centenas de chibatadas e vários anos de prisão. Tempos depois, o Rei Abdullah reconheceu que foi errado com ela, mas não deixou de dizer que a pena foi justa. Uma puta contradição!

Obviamente, não tive a oportunidade, e pra ser sincero, nem mesmo o desejo, de conversar com qualquer mulher por lá. O fato de estar em locais públicos com diversas mulheres em volta me deixava tenso, com medo da mutawa’a, com medo de ser preso e levar umas chibatadas. (Depois que voltei e refleti sobre como eu, como brasileiro era tratado por lá, penso que talvez nada tivesse acontecido, mas teria sido um baita susto).

E o que as mulheres mais fazem na Arábia Saudita? Dou um doce para quem acertar!

continue lendo »

Por onde começar a falar da Arábia Saudita? 5

Feb15

saudi-arabia-riyadh-al-bathaa-masmak-fortress-palm-trees-bg

Esta é uma pergunta muito difícil de responder. A Arábia Saudita é um país único, completamente singular. País novo, com muita gente sem instrução, mas incrivelmente rico. Tudo provido do que costumam chamar de PetroMoney. Lembro que várias empresas aéreas tem cartões de afiliação exclusivos para as pessoas que trabalham com petróleo.

A Arábia Saudita é relativamente nova. O primeiro território foi em 1744, mas somente foi declarado Reinado (nome verdadeiro de Kingdom of Saudi Arabia) em 1926 e reconhecido no ano seguinte. O idioma é Arábe e esta é a única lingua falada amplamente.

É bem difícil se locomover sem falar Arábe. Eu na época falava somente inglês, então passava muito perrengue por conta disso, mas de forma nenhuma fui maltratado por conta disso. Pelo contrário, muitos me ajudaram, tentaram entender minhas mímicas, meus apontamentos (cheios de cuidado!), e toda forma de comunicação que eu tentava estabelecer. Realmente uma aventura.

Eles seguem o Islamismo ao pé da letra, ou seja, sempre precisamos nos precaver quanto aos costumes, por isto, antes de ir, fiz um estudo muito bom (pela internet) sobre os costumes, o que poderia ou não fazer, etc. Mais pra frente, vou postar uma lista das coisas que não devemos (ou pelo menos não deveríamos fazer) para não ofender a cultura deles ou a própria pessoa que estejamos no momento.

As regras são rígidas, com penas de morte na Praça da Justiça (Justice Square). As penas são na maioria das vezes de morte, com corte da cabeça, bem no estilo medieval mesmo! Em praça pública com quem quiser ver. É uma experiência realmente chocante! Sobre as penas, julgamentos, etc, vou falar num outro post como as coisas acontecem por lá. Fique ligado!

normal_islam1Cheguei bem na primeira semana do Ramadan, e por mais que eu tivesse lido tudo sobre, foi um imenso choque tanto cultural, quanto espiritual. Peguei um país completamente diferente, vivendo no ápice de sua fé, com milhares de pessoas do mundo todo muçulmanas, indo para lá declarar sua fé em sua peregrinação a Mecca, uma cidade que infelizmente não pude visitar. Vivi o Ramadan todo, com todas as suas limitações, inclusive para estrangeiros, tendo que comer e beber escondido, não podendo fumar em público, vivendo uma noite intensa que só parava por volta das 5h da manhã, horário da primeira reza, das cinco diárias. Todas as noites do Ramadan são assim, intensas, vivas, lotadas! Engarrafamentos às 3h da manhã!!! Shoppings, feiras, bares, restaurantes, tudo lotado!

Falei bares? Claro! Bares são exclusivamente para homens, para ver jogos, comer uns sanduíches, rir com os amigos e beber muito suco e café! Nada de álcool. Dá pena de morte também! Vou fazer um post exclusivo sobre a vida noturna dos jovens machos de Arábia Saudita. A vida não é mole por lá para eles também!

continue lendo »

Blog do Viajante is powered by WordPress