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Como os jovens se relacionam na Arábia Saudita! 6

Apr15

Apesar de todas as barreiras religiosas do contato de um homem com uma mulher que não seja de sua própria família (mais aqui), os jovens sempre dão um jeito. Não importa a religião, não importa a família. Homens e mulheres são todos iguais em qualquer lugar do planeta, eles precisam de contato, precisam se relacionar, precisam se sentir desejados, precisam amaciar o ego. Sempre, não importa o lugar do mundo. Em todas estas minhas andanças pelo mundo afora, isto sempre foi idêntico: a paquera rola solta!

Shopping centers são os locais preferidos para a paquera. Foto: Internet

Shopping centers são os locais preferidos para a paquera. Foto: Internet

LOCAL DO CRIME

Shopping Centers, claro! Onde mais? São diversos os shoppings como o Al Faisaliah Center e o Kingdom Centre, os dois principais de Riyadh.

COMO ACONTECE

Vivemos em um mundo moderno, cheio de celulares, todo mundo com seu modelo mais novo e ultra moderno. Como tudo, celulares são super baratos na Arábia Saudita pela ausência completa de impostos.

Mas como acontece? Durante a noite, onde os jovens estão nos shoppings com seus amigos, ficam olhando de longe as meninas passando. Quando alguma se interessa e fica olhando, bem do nosso jeito mesmo, encarando nos olhos, a menina deixa a bolsa aberta e fica andando como se estivesse olhando a vitrine. O menino vai atrás, e joga um papel com o número de seu celular dentro da bolsa dela, com o maior cuidado, para não ser visto pela mutawa’a, senão ele está perdido!

A menina segue andando, depois pega o papel e os dois começam a conversar freneticamente via SMS. Trocam fotos, muitas mensagens sedutoras, e até mesmo ligações, mas sempre muito bem escondido.

Amigos sauditas ficam sentados nos cafés olhando as meninas passando e buscando contato

Amigos sauditas ficam sentados nos cafés olhando as meninas passando e buscando contato

Normalmente nem os rapazes  nem as garotas contam para seus respectivos amigos. Deve-se manter segredo, até mesmo dos amigos, afinal, eles depois podem ser testemunhas que os dois tiveram algo, e os dois serem condenados com até pena de morte. Mas porque testemunhas? Porque nestes crimes (segundo a lei deles), precisa-se de pelo menos três testemunhas que tenham visto os dois juntos, ou saibam. Simplesmente denunciar não vai levar a nada, eles nem vão lá olhar.

SEXO

Sim, rola sexo. Mas como o hímem da mulher é a prova de que ela é virgem, quando ela se casar, ela vai ter que estar com o hímem intacto, senão é separação na certa e condenação por adultério, com muitas chibatadas e simplesmente largada pela família por conta da desonra gravíssima cometida por ela. Então o sexo é feito pelo… deixo para vocês pensarem.

Normalmente os rapazes possuem casas alugadas somente para manter estes encontros secretos. Os rapazes se juntam e todos dividem o aluguel. Variam de 5 a 10 rapazes, no geral.

AMORES E PAIXÕES

Tive muitos relatos de sauditas que estavam realmente gostando ou amando das garotas com quem estavam tendo um caso, mas jamais poderia casar com elas. Afinal, como iriam explicar para suas famílias como conheceram a garota? Muitos tristes por terem que se separar em algum dia de suas amadas, mas respeitam sua religião e principalmente suas leis, pela temência que possuem, tanto por Alah, quanto pelas penas intensas que são aplicadas nestes casos. Desonra pela parte masculina é punida com pena de morte, com a decaptação.
O QUE EU PENSO

Mulheres sauditas andando pelo shopping

Mulheres sauditas andando pelo shopping

Apesar de as leis hoje serem mais flexíveis para o casamento entre sauditas, a tradição da escolha pela família ainda é mantida, mas deixando ainda a liberdade para ambos escolherem se querem ou não casarem um com outro após poderem se conhecer durante um breve bate-papo em local público.

Mesmo assim, apesar de respeitar e entender muito a religão e seus dogmas, acredito que o amor deva ser livre e cada um possa determinar por quem quer desenvolver uma relação estável e de amor durante anos, não imposto por ninguém, principalmente pela sua família. A situação para muitos é de pura amargura com relação a impotência de poderem expor seus sentimentos e seus pensamentos. Não há discussão ou mudança com relação a isso. Somente se saírem em definitivo de seus país, o que muitos não fazem por temor a possíveis represálias no futuro quando tentarem retornar.

Mas venho sempre a pensar se não é possível desenvolver um amor após o casamento, mesmo sem ter conhecido antes. Será que é necessária somente a paixão para se casar e depois pensar no amor? Ou o amor pode vir antes de se construir algo junto? Difícil.

E você, o que pensa disso tudo? Deveria ser mais liberado ou esse clima de perigo torna tudo mais gostoso?
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No caminho para a deliciosa cidade de Chefchaouen 1

Mar21

No caminho para a deliciosa cidade de Chefchaouen. Foto: Claudio Martins

No caminho para a deliciosa cidade de Chefchaouen. Foto: Claudio Martins

Chefchaouen é a minha cidade favorita, sem dúvida. A cidadezinha toda azul lavado no alto das montanhas, com clima bem de cidade do interior aqui do Brasil, com temperatura agradável, com uma calma… A cidade foi fundada em 1471 no interior de um forte, que ainda hoje existe, construído por Mouros exilados de Espanha, forte este com o objetivo de resistir a sucessivas invasões portuguesas ao norte de Marrocos. A cidade foi conhecida por ter a maior concentração de Mouros e Judeus, que procuravam refúgio nas montanhas depois das conquistas espanholas na idade média. Em 1920 Espanha invadiu Chefchaouen e integrou-a como parte da Marrocos Espanhola.

Chefchaouen é muito conhecida, principalmente entre os Europeus, pela extensa plantação de maconha que ficam em montanhas próximas. É a cidade mais próxima que se pode ficar hospedado de forma tranquila. É muito bem frequentado por mochileiros europeus e americanos, além dos próprios marroquinos atrás de hasish. Vi europeus colocando pedras inteiras de hasish em camisinhas e engolindo para poder sair do país. A vigilância é intensa com turistas nas fronteiras. Cachorros são levados no entorno de sua bagagem para verificar se alguém tá levando algum hasish com ele.

A primeira vez que eu fui em Chefchaouen já foi logo no primeiro final de semana que estava estabelecido por lá. Queria muito conhecer a cidade por tantas indicações positivas que tinha recebido e queria já logo meter o pé na estrada em uma longa distância, afinal, essa é uma ótima maneira de conhecer parte do país, é cruzando ele logo!

Entrada do Hilton Rabat, onde fiquei hospedado durante um tempo. Foto: Claudio Martins

Entrada do Hilton Rabat, onde fiquei hospedado durante um tempo. Foto: Claudio Martins

Pois bem, eu e Joãozinho ainda estavámos hospedados no Hilton na época e alugamos um carro ali mesmo com a Hertz. Para infelicidade geral da nação só tinha um Nissan automático, super silencioso e com uma super potência disponível. Ó mundo cruel! Não lutamos muito e aceitamos a oferta. Passamos o cartão de crédito deixando reservado o valor de todas as diárias. Era algo em torno de US$ 50 por dia, e era apenas um final de semana, então era uma pechincha por uma trip que valeria a pena, além de uma segurança para quem ainda não conhecia nada por lá. Trens diretos não existem, já que a cidade fica nas montanhas, somente indo para Tetouan e de lá, chegando no horário certo, pegar um ônibus ou um taxi compartilhado para Chaouen. Eu toparia facilmente a aventura, apesar do tempo corrido, mas meu amigo é um super fresco então ele não topou.

Depois eu fui na Conciérge do hotel buscar indicações de como sair de Rabat para lá, o cara me olhou com um olhar torto do tipo “o que será que ele quer fazer lá?”. Imagina! Eu estava em um hotel onde os maiores executivos do mundo se hospedam e um jovem pergunta como chegar a Chefchaouen, ao invés de perguntar sobre o melhor restaurante da cidade. Ele me deu explicações meio atravessadas, então resolvi usar o guia e seguir viagem. Infelizmente naquela época não existia GPS automotivo cobrindo Marrocos, então fomos na coragem mesmo.

Rabat no geral é bem sinalizada, então de posse do mapa e com noções de direção em estrada, olhando placas de cidades próximas ou códigos de estradas próximas, com um mapa é muito fácil viajar por Marrocos. Acredite! É fácil mesmo! Isto sempre me lembra uma vez um bloco do Fantástico sobre como viajar de carro pelo Brasil e eles propuseram que pessoas de diferentes cidades, tentassem chegar em algum ponto turístico da outra cidade, somente utilizando mapas. Resultado: os paulistas praticamente queriam uma placa na entrada da Avenida Brasil dizendo passo a passo como chegar no Cristo Redentor. Faça-me o favor! O ideal é sempre olhar o sentido das placas para cidades que vão ficar no caminho de onde você quer ir. Se a cidade que você quer ir é gigantesca ou muito turística, certamente terá uma placa indicando qual o caminho tomar, mas não terá muito pelo caminho, vá seguindo em direção as cidades do caminho. (Se tiver outras dicas, deixa aí nos comentários!)

Em uma das paradas na estrada para ver o visual. Foto: Claudio Martins

Em uma das paradas na estrada para ver o visual. Foto: Claudio Martins

Bom, saímos de Rabat por volta de meio dia, pegamos a auto estrada N1 subindo até a cidade de Kenitra, até chegar no cruzamento das auto estradas N1 e N4, virando à direita, mas continuando na N1, passando pelas cidades de Morhane, Sidi-Allal-Tazi, Souk-Telata-du-Rharb, Souk-el-Arba-du-Rharb, e virando em sentido a Ouezzane, passando por uma estrada local com várias vilas. Voltamos a auto estrada indo em direção ao norte, passando por Brikcha e finalmente chegando a estrada que nos levaria a Chefchaouen. Bom, muito tranquilo. Placas indicavam corretamente onde estava Chefchaouen, a cidade escondida nas montanhas.

E este era o visual. Foto: Claudio Martins

E este era o visual. Foto: Claudio Martins

Chegamos em Chefchaouen por volta das 17h, muito porque parávamos pelo caminho. A viagem pela estrada até lá é outra viagem dentro da viagem. São paisagens incríveis e dá para ver como Marrocos tem uma terra fértil ao norte do país. São quilômetros de plantações de arroz, milho, trigo, e várias outras frutas e vegetais. Diversas estufas de plantação de arroz dão um tom de centro de pesquisa de ETs à lá Arquivo X. Sério! Era a sensação que eu tinha durante a viagem vendo aquelas estufas gigantescas todas brancas e fechadas no meio de um monte de verde. Será que eu tava delirando?

Cidade de Ouezzane vista da entrada da cidade, ainda na auto-estrada.

Cidade de Ouezzane vista da entrada da cidade, ainda na auto-estrada.

A cidade de Ouezzane é uma história à parte. A entrada da cidade é linda, mas olhando para cima, com cada casa em uma cor diferente, tijolos aparecendo, me lembrava muito as comunidades carentes aqui do Rio de Janeiro que se estabeleceram em montanhas (sendo o mais politicamente correto, óia!). Ouezzane é bem conhecida por ter sido uma capital espiritual do Islamismo e casa de muitos dos pilares do Sufismo (corrente mística e contemplativa do Islamismo). Nas minhas pesquisas planejando a trip vi que Ouezzane é boa se eu estivesse embarcando de ônibus entre Chefchaouen e a costa, caso eu quisesse vir descendo por toda a costa de ônibus. Coisas de planejamento de viagem.

Chegando a Chefchaouen na primeira vez, por baixo. Foto: Claudio Martins

Chegando a Chefchaouen na primeira vez, por baixo. Foto: Claudio Martins

Voltando a Chefchaouen, assim como cada cidade de marrocos, tem sua própria cor. A de Chaouen (como é carinhosamente apelidada) é o azul lavado, com todas suas casas pintadas de um azul bem claro, com outras partes em branco, normalmente as superiores, tendo origem na comunidade judaica. A medina é pequena e suas vielas são bem estreitas. É um sobe e desce toda hora. Nas medinas existem comércios em geral, além é claro, das casas dos moradores, mas normalmente as grandes áreas de moradia não possuem comércio e são facilmente identicáveis, pois as ruas são mais escuras, bem estreitas e normalmente com pessoas conversando na porta de suas casas. Vale citar, que como manda os bons costumes árabes, mesmo nessa cidade bem colada com a Europa, homens com homens, mulher com mulher.

As ruas de Chefchaouen com suas paredes de cor azul lavado.

As ruas de Chefchaouen com suas paredes de cor azul lavado.

Durante a alta temporada (verão europeu) a primeira coisa que você vai perceber quando chegar na cidade é a enorme quantidade de marroquinos oferecendo seus serviços: hospedagem, estacionamento, guia, restaurantes, compras, tudo! Um verdadeiro pânico de início, porque eles simplesmente rodeiam o seu carro, são vários! Um verdadeiro ataque pela sua atenção e claro, seu dinheiro. Eu não tinha entendido nada ainda e fiquei achando que estava rolando algum tipo de protesto que eu não estava sabendo. Mas como saber, né? Eu só estava lá havia cinco dias.

Por hoje é só pessoal. Aguardem os próximos episódios sobre Chefchaouen e sua relação com o hasish e muito mais sobre Marrocos.

Se tiverem alguma dúvida, não deixem de me perguntar nos comentários!

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Marrocos, uma terra vibrante e de muitos contrastes 2

Mar15
Chapéu típoco da cidade vermelha. Ao fundo, a principal mesquita de Marrakech. Foto: Claudio Martins

Chapéu típico da cidade vermelha. Ao fundo, a principal mesquita de Marrakech. Foto: Claudio Martins

Falar de Marrocos para mim é muito fácil, e eu vivo falando sempre, seja com amigos, colegas de trabalho, em comunidades na internet. Eu sou simplesmente apaixonado por Marrocos.

Morei durante alguns meses e já retornei duas vezes depois disso. Sempre com um roteiro diferente, com uma experiência diferente, um sentimento diferente. Marrocos te proporciona isso tudo em apenas uma viagem. É impossível ver tudo em apenas uma viagem. Tem tanta coisa para fazer e o sentimento é em geral de paz tão grande, que você vai querer voltar várias e várias vezes, assim como eu. :)

Marrocos fica na África do Norte, tem um população de aproximadamente 34 milhões. A capital é Rabat (onde morei), e a maior cidade é Casablanca (a capital financeira do país). Fica na costa com o oceano Atlântico e faz “divisa” com a Espanha pelo Estreito de Gibraltar no Mar Mediterrâneo.

A lingua oficial é o Arábe, mas na capital Rabat é possível falar francês e um pouco de espanhol. Nas cidades mais ao norte, o espanhol é largamente falado pela proximidade com a Espanha e o número de imigritantes e turistas que entram por esta borda. Nas cidades mais ao sul, com exceção de Marrakech, vai ser difícil se comunicar fluentemente sem falar Arábe. Mas nada disso tira a impressionante cortesia e amizade que todos os Marroquinos tratam seus visitantes.

O colorido mercado de Marrakech. Foto: Claudio Martins

O colorido mercado de Marrakech. Foto: Claudio Martins

Marrocos é realmente uma fascinante mistura cultural: bérberes, arábes, judeus, muçulmanos, africanos e europeus. Hassan II, antigo rei de Marrocos, comparou o país a uma árvore com suas raízes se espalhando profundamente pelo coração da África.

MarocTel - A empresa de telefonia celular que trabalhei em Marrocos

MarocTel - A empresa de telefonia celular que trabalhei em Marrocos

Marrocos está mudando rapidamente em decorrência da modernização e da democracia. Apesar de manter sua cultura viva com todo afinco, é possível conviver com o que há de mais moderno de tecnologia (3G – meu trabalho lá! -, Banda Larga, TVIP, etc), conforto com as melhores marcas de hotéis 5 estrelas do mundo (e eu passei por todos eles em Rabat), carros de última geração… e do outro lado, muita gente pobre, contrabando e falsificação de marcas made in china.

Jardins do Palácio Real em Rabat. Foto: Claudio Martins

Jardins do Palácio Real em Rabat. Foto: Claudio Martins

Uma das coisas que mais me impressionaram e fizeram entender a vida de forma um pouco diferente era o povo pobre de Marrocos. Diferentemente de muitos daqui do Brasil, que só se lamentam e vivem infelizes, esse povo de Marrocos, simplesmente leva a vida de forma tranquila, sem tirar o sorriso do rosto, sem deixar a diferença social ser um impecilho para a felicidade. Foi realmente um aprendizado sobre outras formas de entender o ser humano.

Hospitaleiros, amigos, sinceros, bons negociadores. São apenas algumas das inúmeras qualidades que poderia citar de um marroquino. São ótimos vendedores e negociadores. Pela seu papel no comércio e política na história em legendárias cidades como Fez e Meknès, eles possuem o dom natural de negociantes. Portanto, esteja sempre atento!

Dica básica: sempre, sempre! Sempre o preço em um comércio popular (de medinas, por exemplo) vai ser bem maior que o valor real. Esteja atento! Nunca pague o primeiro preço, e uma boa tática é já oferecer 40% do preço. É uma verdadeira guerra, de ele oferecer um preço maior e você ir reduzindo. No início isso parece um saco, um tédio e você só quer se livrar logo do vendedor, mas acredite, depois de um tempo você fica fera e isso se torna um jogo, pra ver quem sai ganhando. Mas eu sempre tive a sensação de sair perdendo, mesmo depois de ter achado que consegui fazer um negócio fantástico! Erro meu, logo depois vinha um conhecido que tinha comprado a mesma coisa por um preço menor. Coisas de Marrocos!

Modo tradicional de servir Chá de Hortelã. Foto: afropop.org

Modo tradicional de servir Chá de Hortelã. Foto: afropop.org

O Chá de Hortelã é uma constante em qualquer momento em Marrocos. Qualquer lugar que você for, seja você recebido na casa de um marroquino, você será oferecido um Chá de Hortelã. É uma ofensa não aceitar, mas como não aceitar, se é uma delícia? Além de ser muito gostoso, faz super bem para o estomago. Com sua comida super temperada e em diversos lugares com alguns itens de falta de higiene (que alguns poderão ficar com nojo – os mais frescos, vai?), inevitavelmente na primeira semana tem-se problemas estomacais leves. Chá de Hortelã é um santo remédio. Sábios Marroquinos!

Diversão e baladas eu encontrava em Marrakech, um bom lugar pra morar eu tinha em Rabat, cultura e história em Fez e Meknès, calma e tranquilidade em Essaouira e Chefchaouen e se eu quisesse me sentir em uma cidade gigantesca, eu ia pra Casablanca, com seu trânsito intenso, correria e sujeira. Cada cidade com uma cor, com um ritmo, com uma história diferente. Era impossível descrever a melhor, pela diferença gigantesca entre uma e outra. Todas (incluindo não citadas) devem ser conhecidas.

Montanhas do High Atlas - Foto: camis

Montanhas do High Atlas - Foto: camis

Marrocos também tem parte do deserto do Saara, uma das viagens mais interessantes que eu tive o privilégio de fazer. Desci toda a costa de carro, cruzei todas as montanhas do Atlas, de uma ponta a outra do país, com cenários impressionantes, de ter que ficar parando a toda a hora para contemplar e perder a respiração, com o que temos aqui de privilégio no mundo e não conhecemos. São cenários impressionantes mesmo. Eu recomendo fortemente esse roteiro.

Tem tanta coisa para falar de Marrocos, que também não daria para falar somente neste post. Então eu deixo combinado com você, ao longo dos próximos dias, uma série de posts sobre Marrocos e suas cidades, além é claro sobre outros lugares e assuntos, serão publicados aqui no Blog do Viajante.

Deixa seu comentário aí dizendo sobre o que você acha de Marrocos ou sobre o que você tem curiosidade! ;-)

Até o próximo post!

Mais fotos de Marrocos

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Morando na Arábia Saudita 1

Mar9

Escolher morar na Arábia Saudita é uma decisão complicada, demorada e que exige determinação.

Muitos estrangeiros que conheci e que moravam lá ou eram da empresa que trabalhava (Ericsson) ou eram do condomínio onde eu morava.

De uma maneira geral, estrangeiros do ocidente só podem morar em hotéis (que não podem ser pagos por empresas ou pessoas locais, somente por sua empresa no seu país de origem, ou pelo seu próprio cartão de crédito) ou nos condomínios para entrangeiros, chamados de compounds. Ou seja, estrangeiros não podem ter uma casa ou morar em um apartamento junto a outros sauditas. Desta forma, eles mantém um controle rígido e vigiado em todos os estrangeiros e evitam a aproximadação destes com os sauditas na maior parte das chances que você tem de conhecer um.

OS COMPOUNDS

Os compounds são praticamente territórios estrangeiros dentro da Arábia Saudita, sendo proíbido que os sauditas entrem neles. Eu morava no Seder Village, razoavelmente perto do escritório, e perto de uma série de mercados, restaurantes e shoppings.

A segurança é extrema, e quando comecei a morar em um, me sentia em um campo de guerra, era muito assustador no início. Depois de um tempo, acabei me acostumando a todo este esquema de segurança e ficava mais tranquilo, até mesmo brincava com essa galera da segurança.

Para início de conversa, as paredes possuíam mais de três metros de altura, e eram três barreiras de segurança, cada uma para uma verificação diferente:

Entrada do Seder Village

Entrada do Seder Village

- primeira barreira: verificação de bomba! Seu carro é todo aberto, porta malas, porta luvas, mochilas, pastas, tudo é olhado! Com espelhos e cachorros anti-bomba. Depois de passar pela primeira barreira, você tem andar duzentos metros, entre placas de concreto, que te fazem andar em zigue-zague. Isto para caso você tenha alguma coisa, não conseguir fugir!

- segunda barreira: verificação se você mora, tem autorização para ir lá ou é saudita. Neste momento eles verificavam meus documentos, meu título da casa onde morava, e quem estava comigo. Certa vez enchi tanto o saco do cara, que consegui entrar com meu amigo saudita lá, porque ele estava me levando em casa no dia, após um dia de muitas aventuras de quadbiking no deserto, mas eles ficaram de olho e me ligaram em seguida para saber se ele tinha saído da minha casa já.

- terceira e última barreira: exército saudita. Isto é o mais próximo que um saudita chega dos condomínios. Estes ficavam escondidos entre duas árvores, com um carro de guerra, várias armas, canhão e outras coisas. Eles ficavam camuflados com uma tela na frente e vigiando toda a movimentação. Eles só eram autorizados a entrar no condomínio em caso de problemas graves. E entende-se por graves, um atentado terrorista com bombas e mortes!

Após todas as verificações de segurança, eu estava dentro de um condomínio, muito semelhante a vários como temos aqui na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro ou no Morumbi, em São Paulo.

Basicamente todos os serviços essenciais eu tinha dentro do próprio compound. Tinha um mini-mercado para atender todas as necessidades básicas de arroz, feijão (sim! do brasil, preto, moreno, todos os tipos!), carnes, snacks, molhos., etc. Tinha também cabeleiro, manicure, serviços de jardinagem, tv a cabo, internet, telefone, salão de festas, piscina, quabras de futebol, basquete, tênis, restaurante. Enfim, o básico para um estrangeiro conseguir viver.

Piscina no Seder Village

Piscina no Seder Village

O estilo de vida é totalmente ocidental, então eu andava de bermuda, camiseta e chinelo. As mulheres ficavam de biquini. Era tudo mais tranquilo que na rua.

O custo do aluguel de uma casa no Seder Village variava de US$ 5.500 a US$ 26.000 por ano. O período de aluguel mínimo é de um ano, então normalmente, estas casas são mantidas alugadas pela empresa que você vai trabalhar. O Seder Village fica na Al-Khaleej Area, Salman Al Farsi Road, Riyadh.

[googlemap lat="24.77800680315638" lng="46.80253028869629" width="600px" height="300px" zoom="15" type="G_SATELLITE_MAP"]Seder Village, Riyadh[/googlemap]

A minha casinha era bem confortável, com uma sala gigante, cozinha integrada, quarto suíte, jardim com flores muito bonitas e bem cuidadas, ar condicionado nos dois ambientes, TV a cabo. Toda equipada, com panelas, talheres, fogão, geladeira com freezer, etc. Enfim, tudo para você já chegar bem confortável e independente. Isto claro, se você cozinha. Se você não cozinha, não tem problema. Basta ligar para o delivery do restaurante e pedir uma comida deleciosa. E bem gordurosa também! Tudo tem uma enorme quantidade de gordura, deve ser por isso que é tão gostoso!

Ruas no Seder Village

Ruas no Seder Village

Tudo é organizadinho em ruas, com vários blocos de duas ou três casas, e vários blocos na mesma rua. Existiam algo em torno de 20 ruas no meu compound. Deviam existir umas 100 casas no total.

Existiam famílias completas, com mulheres, homens, crianças, pais, avós. Ficava imaginando o quanto deve ter sido difícil tomar a decisão de levar toda a família para viver em um país, onde especialmente para as mulheres é tão complicado de se viver. Mais aqui.

Conversei com vários e a resposta era sempre a mesma: dinheiro! Alguns citavam aventura também. Alguns planejavam ficar um ou dois anos, e já estavam a mais de dez por lá! Alguns estavam a pouco tempo e não pretendiam alongar muito também. Certamente dinheiro faz muita diferença nesta decisão. Vários queriam juntar dinheiro para pagar suas hipotecas, e esta era a oportunidade perfeita de pagar vários anos (mas muitos anos mesmo!) trabalhando pouco tempo lá na Arábia Saudita.

Internet é um absurdo de cara! Não só cara, como de uma qualidade péssima. A única opção no condomínio é internet via satélie, custa US$ 300 por mês, e a velocidade é comparável a de internet discada de 56kbps ou pior. E eles diziam que era banda larga de 500kbps. OK, eu sou otário! Além de tudo, a internet passava pela filtragem do governo, que bloqueava praticamente todos os sites que eu mais costumava acessar, então basicamente ficava vendo os sites de notícias e conversando no Live Messenger. Por vezes eu usava um sinal Wi-Fi que ficava aberto e sem senha, que além de não ter restrições de censura nenhuma, ainda era muito mais rápida que a que eu pagava uma fortuna para ter.

Tinha também o “Al Hamra Oasis Compound“  que ficavam parte dos outros estrangeiros que trabalhavam comigo. Este sim era um compound de altíssimo luxo (veja a imagem de satélite abaixo). Casas ultra luxosas, com diversos equipamentos mais modernos, além de ruas mais arborizadas, várias piscinas, diversas quadras. Tinha até mesmo uma arquibanca para ver os jogos de tênis! Demais! Mas esse condomínio era bem distante da empresa, tendo que pegar durante quilômetros a rodovia East King Road e depois diversas outras estradas, até chegar nele, na Damman Road.

Os compounds também oferecem serviços de ônibus para shoppings, supermercados, e outros lugares. Então é sempre bom consultar o guia de serviços do compound, pois ele terá toda a agenda de dias e horários, além de programação do cinema local (dentro do próprio compound), festas programadas, atividades coletivas, lista de canais, restaurantes e cardápios, telefones de emergência, endereços de shoppings, entre outras muito importantes para conseguir andar e viver bem pela Arábia Saudita. Afinal, viver em um país onde se tem muito dinheiro, o mínimo é que você viva com conforto e um pouquinho de luxo, afinal, não faz mal a ninguém. :)

Por este post é só. Amanhã conto sobre as festas regadas a álcool a loucura dos gringos! E como tudo terminou… =/

Ruas do Al Hamra Oasis Compound

Ruas do Al Hamra Oasis Compound

Piscina do Al Hamra Oasis Compound

Piscina do Al Hamra Oasis Compound

Quadra de Tênis do Al Hamra Oasis Compound

Quadra de Tênis do Al Hamra Oasis Compound

Piscina do Al Hamra Oasis Compound

Piscina do Al Hamra Oasis Compound


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