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	<title>Blog do Viajante &#187; colunas</title>
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		<title>A Pasárgada dos consumidores compulsivos!</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Aug 2009 18:51:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>EduardoCidade</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando o assunto é viagem, logo se pensa nas compras. É imprescindível, estão diretamente relacionados. Seja você um turista da nata ou um mochileiro sem-grana. No mínimo, um chaveirinho para mamãe será comprado. Para os incontroláveis, o sonho de consumo é a Quinta Avenida ou a Champs-Elysée&#8230;
Não estão com nada, essas avenidas&#8230;
O “fervo” mesmo, a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando o assunto é viagem, logo se pensa nas compras. É imprescindível, estão diretamente relacionados. Seja você um turista da nata ou um mochileiro sem-grana. No mínimo, um chaveirinho para mamãe será comprado. Para os incontroláveis, o sonho de consumo é a Quinta Avenida ou a Champs-Elysée&#8230;</p>
<p>Não estão com nada, essas avenidas&#8230;</p>
<p>O “fervo” mesmo, a El Dorado dos compulsivos, é a Ciudad Del Este, no Paraguai. Encontra-se o inimaginável, em liquidações de arregalar os olhos, e nem o mais pão-duro resiste. Claro, os fatos precedem a fama. Falsificações são muitas. É preciso arriscar. O belo aparelho de DVD, de última geração, por irrisórios 30 dólares pode ser uma barbada. Ou uma pedra.</p>
<p>Cinéfilos não podem reclamar. Hollywood ou Bollywood. Chaves e Chapólin ou Pedro Almodóvar representando a cultura hispânica. Bergman e Godard ao lado de “As Pontes de Madison”. As crianças saltitam em êxtase. Brinquedos de todos os tipos. Cuidado para não trocar o Pato Donald de pelúcia gigante, legítimo aos de Orlando, por um Dumbo estrábico.</p>
<p>Roupas de todas as grifes, só quem entende muito de moda sabe a diferença entre a bolsa falsa e a verdadeira. Ou não. Depende do camelô. Cuecas da Calvin Klein variando do ousado fio-dental masculino às ceroulas termais até o tornozelo para quem acampa na Sibéria.</p>
<p>Eu e um amigo regressávamos de viagem da Argentina e do Chile. Pegamos um ônibus saindo de Buenos Aires e, vinte horas depois, chegamos em Foz do Iguaçu. Precisávamos esperar nosso ônibus ao Rio por algumas horas.</p>
<p>Por que não atravessar a Ponte da Amizade?</p>
<p>Atravessamos a fronteira no meio da imensa multidão de sacoleiros. Tudo muamba. Tudo para vender nos centros de São Paulo e do Rio. Meu amigo comprou um DVD. Tiro certeiro, não era uma pedra. Eu comprei dois perfumes e um isqueiro Zippo (que perderia três meses depois).</p>
<p>Na volta, atravessando a ponte, meu amigo até indagou, “e se formos pegos pela Polícia Federal?”.</p>
<p>Bem, não seria problema. Compramos pouco, afinal. Ficamos mais surpresos com a intensa circulação daquela ponte. Quanta amizade!</p>
<p>O ônibus foi uma lição de sociologia.</p>
<p>Descobrimos de imediato: éramos os únicos turistas. Os demais passageiros, sacoleiros.</p>
<p>Claro, houve o choque. Eles se surpreenderam conosco, mas deram as boas-vindas. A primeira medida: fomos isentos da “vaquinha do motorista”. Ou seja, o que cada um paga ao motorista para evitar a Polícia Federal na estrada. É proporcional: quem comprou 40 cuecas não merece pagar o mesmo valor de quem comprou 40 laptops.</p>
<p>A disputa foi acirrada e, no final, o motorista era honesto. Recusou a propina, o que é uma raridade, conforme descobri.</p>
<p>A simpatia conosco prosseguiu. Um senhor, que trazia umas 30 garrafas de vodka importada, abriu uma e declarou, “está aqui é para agüentar a viagem! Estão servidos?”.</p>
<p>A Polícia Federal parou o ônibus, simplesmente, umas dez vezes. Sempre alguém era apreendido.</p>
<p>Dependendo do caso, havia a solidariedade ou a repulsa.</p>
<p>“Coitado do Fulano, só comprou 20 tênis”.</p>
<p>“Ah, o Beltrano mereceu. Exagerou com 15 computadores”.</p>
<p>Eu e meu amigo nos preocupamos: e se a polícia nos revistar?</p>
<p>“Tenho uma câmera digital! Juro, já era minha, não comprei no Paraguai”.</p>
<p>“Não se preocupe”, confortou-me um dos sacoleiros, “você tem <em>uma</em> câmera”.</p>
<p>“E os meus dois perfumes?”</p>
<p>“São apenas <em>dois</em> perfumes. Tem gente aqui com 50”.</p>
<p>Inevitável: eu e meu amigo estávamos nervosos com a situação. A polícia percebeu.</p>
<p>Foi rápido, logo, incrédulos, perceberam que nós éramos realmente turistas.</p>
<p>Vinte e oito horas depois, com dez paradas da Polícia Federal e inúmeras combis aguardando no meio do caminho para descarregar a mercadoria (sem levantar suspeitas caso fosse numa rodoviária), conseguimos voltar ao Rio de Janeiro.</p>
<p>Uma aventura e tanto! Quanto vejo um camelô pela rua, impossível não lembrar daquelas horas no ônibus e esboçar um leve sorriso de nostalgia.</p>
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		<title>Noitadas peruanas</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Jul 2009 18:39:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>EduardoCidade</dc:creator>
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		<category><![CDATA[peru]]></category>
		<category><![CDATA[realidade]]></category>
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		<description><![CDATA[Nazca é um vilarejo de 20 mil habitantes isolado no Peru. Mundialmente famoso, claro, gracas às suas enigmaticas linhas. Uns, mais místicos, acreditam que os antigos habitantes pré-incas construíram tais formas animalescas que só podem ser vistas do céu como centro de pouso para alienígena. O mais provável é que foram mensagens e suplícios aos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Civiliza%C3%A7%C3%A3o_de_Nazca" target="_blank">Nazca</a> é um vilarejo de 20 mil habitantes isolado no <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Peru" target="_blank">Peru</a>. Mundialmente famoso, claro, gracas às suas enigmaticas linhas. Uns, mais místicos, acreditam que os antigos habitantes pré-incas construíram tais formas animalescas que só podem ser vistas do céu como centro de pouso para alienígena. O mais provável é que foram mensagens e suplícios aos deuses, ou mesmo registros da vida cotidiana. Igual ao homem da caverna, mas no solo, para ser admirada do alto.</p>
<p>Pouco importa, sobrevoar as linhas num aeroplano e visitar seu cemitério de múmias faz de Nazca um dos atrativos chaves do Peru, apesar de ofuscado por <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Machu_Picchu" target="_blank">Machu Picchu</a>. Cheguei num domingo pela noite e, precipitadamente, confirmei fazer o passeio mediante o hotel em que me hospedei. Grande erro: paguei 60 dólares, ao invés dos 30 regularmente cobrados. Questionei meu guia, exigi desconto. Ele retrucou, &#8220;não se afobe, Eduardo. A Aninha, de 15 anos, que te apresentarei esta noite, será teu desconto&#8221;.</p>
<p>Achei melhor pular fora. Prostituição infantil nao é desvendar o mundo, é crime. O que não quer dizer que passaria a noite sem festa, naquela segunda-feira de verão peruano. Nazca à noite: nem as galinhas cocoricam. Silêncio absoluto. Todos os bares, fechados. Senti uma melancolia ao perceber o quanto aquele universo era calmo. O tempo parece não passar e as distâncias, curtas de alguns quarteirões. Incrível como a mais elementar das noções &#8211; a de tempo e espaço &#8211; varia tanto conforme a cultura local. Eu e minha amiga &#8211; a garrafa de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pisco_%28licor%29" target="_blank">Pisco</a> (sagrada bebida reservada à <a href="http://www.portalimpacto.com.br/docs/01Charchar1ANOAula21e22e23.pdf" target="_blank">aristocracia em épocas pré-colombianas</a>. Atualmente, expostos em qualquer mercadinho) &#8211; circulamos a cidade inteira em busca de movimento. Em outras palavras, meia dúzia de ruelas. Até que avistei um certo movimento, no segundo andar de um prédio em ruínas e postulei: é pra lá que eu vou.</p>
<p>Cheguei na festa atacando o bufe de empanadas de frango (vingando-me das galinhas que não te deixam dormir a madrugada) antes de cumprimentar a anfitriã. Uma mulher grávida me acolhe amistosamente, alegando para me sentir em casa e degustar outras empanadas. Tratava-se de um chá-de-neném. Chá-de-neném na desolada Nazca duma segunda-feira&#8230;<br />
Foram todos muito receptivos. Como sempre, a linda sensação de ser o estrangeiro, o convidado, e sentir o orgulho de um povo em compartilhar sua tradição contigo. O mundo nunca cessa de me impressionar.</p>
<p>Avisto uma menina solitária, sentada num sofá. Resolvo posar de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Don_Juan" target="_blank">Dom Juan</a>, gastar meu espanhol e<em> &#8220;sacar una chica para bailar&#8221;</em>.</p>
<p>Obviamente, a fama de ser o viajante aventureiro, trangressor de fronteiras, constuma contar a favor como chame extra.</p>
<p>Ela aceita o convite sorridente. Dançamos e até a grávida nos congratula. Cada vez nos aproximando. Aprendo que a menina estuda fármacia em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Arequipa" target="_blank">Arequipa</a> e, estranhamente, conhecia mais franceses e italianos do que brasileiros. Longa a distância entre Brasil e Peru, não? Ou apenas desinteresse?</p>
<p>Chegam uns garotos, com mais garrafas de Pisco. Convidam-me para beber com eles e sigo. Pensei que a menina viria comigo, naturalmente. Ao invés, ela voltou a sentar-se sozinha. Então sou explicado: no Peru, ao convidar uma menina para dançar, é preciso dançar com a mesma a noite inteira. Caso ao contrário, ela se entristece. Bem diferente das noitadas do Rio de Janeiro, não?</p>
<p>Não se trata de convervadorismos ou hipocrisia. Lugares são simplesmente diferentes e, como viajante, nao se deve jamais julgá-los. Ao contrário, o essencial é entendê-los.</p>
<p>Aquela pequena festinha em Nazca permanece, em minhas lembranças, uma das grandes noitadas da minha vida. Até porque, a menina lembra de mim e somos bons amigos virtuais.</p>
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		<title>Choque Cultural</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Jul 2009 03:33:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>EduardoCidade</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>O maior barato de viajar é o imprevisto. Não se sabe ao certo o que veremos. Afinal, temos algumas idéias dos atrativos principais de um país mediante fotos e informações que nem de longe são suficientes para refletir tudo o que nos aguarda. Sobretudo, as pessoas que conheceremos. É o famoso choque cultural. Ao passar a maior parte de sua vida convivendo numa específica comunidade, o homem tende a fazer generalizações do cunho “ninguém presta” ou “a natureza humana diz que isto é certo e aquilo, errado”. Não poderiam ser mais equivocadas, eis a origem de todo preconceito. Mas quem de nós nunca generalizou?</p>
<p>Lembro quando visitei o deserto do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Saara" target="_blank">Saara</a>, no <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Marrocos" target="_blank">Marrocos</a>, pela primeira vez. Naquele dia, era o aniversário de Said, o motorista do táxi ligando os vilarejos de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rissani" target="_blank">Rissani </a>e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Merzouga" target="_blank">Merzouga </a>ao deserto. Chegamos no albergue, feito de blocos de barro com dromedários circulando sua volta. Encravado no Saara.</p>
<p>O guia para contemplar o crepúsculo chamava-se Mohamed, um jovem berbere de apenas dezessete anos. Durante as horas passadas em cima das dunas douradas, onde não importa para que lado se olha, a paisagem é composta de infindável areia, iniciei assunto com Mohamed. Relembrou que a fronteira com a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Argélia" target="_blank">Argélia </a>fica há apenas 50 quilômetros de distância. Perguntei-lhe se já estivera lá e ele respondeu-me que, durante toda sua vida, nunca saiu do pequeno trecho ligando Rissani e Merzouga. Estudou até o Ensino Fundamental, pois começara a ajudar a família e não poderia mais ir, diariamente, à escola em Rissani. Impossível não ponderar, “o quê temos em comum senão o fato de, hoje, assistirmos este pôr-do-sol em pleno Saara?”.</p>
<p><strong>O espetáculo vale o investimento financeiro.</strong> As dunas, de acordo com a luz solar, mudam de douradas para uma cor púrpura.</p>
<p>Na volta ao albergue, Mohamed tentou-me vender alguns artesanatos fabricados por seu pai, ofício em que ele começa a aprender. Não tinha dinheiro comigo, no entanto indaguei sobre um curioso objeto. Afirmou ser o fóssil de um animal pré-histórico, frisando “de alguns milhões de anos”. Sorri pela ingenuidade e sinceridade de sua resposta.</p>
<p>De noite, a fim de comemorar o aniversário de Said, o motorista, fomos até Merzouga comprar comes e bebes. Para conseguir cerveja e outras bebidas alcoólicas, meu guia e Said precisavam negociar em becos, como se tratasse de drogas ilegais. Um verdadeiro comércio contrabandista.</p>
<p>Entraram no carro outros convidados para regressarmos ao albergue, entre estes, mulheres cobertas em <a href="http://www.blogdoviajante.com/2009/02/a-vida-das-mulheres-na-arabia-saudita/" target="_blank">bourkas</a>, deixando apenas os olhos à mostra. Estranhei a situação, vide em meus préconceitos, ser inconcebível imaginar tais mulheres numa festa.</p>
<p>Enquanto um rapaz preparava o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tajine" target="_blank">tagine </a>de carne e outro acendia o carvão para a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Narguile" target="_blank">chicha</a>, as mulheres trocaram de vestimentas num quarto. Completamente ocidentalizadas, de cabelos soltos, calças jeans e blusas modernas. A transformação não limitou às roupas. Suas atitudes também. Fátima, a namorada de Said, de vinte e poucos anos, foi quem mais me chamou atenção. Ela não falava francês, os demais traduziam nossas palavras para possibilitar nossa comunicação. Fátima ria, fumava cigarros, bebia o álcool proibido pelo <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Alcorão" target="_blank">Alcorão</a>, como se fosse uma Ocidental. Uma mulher totalmente diferente daquela que adentrou o carro minutos antes. Na hora de dançar, me chamou para ser seu par: o estrangeiro. Com o consentimento de Said, claro. Mostrou-me, então, suas raízes orientais, seus gestos suaves e delicados. Aquela notável dança não era um show pago para turistas em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Marrakech" target="_blank">Marrakech</a>, não era uma transmissão televisiva. Fátima não estava fantasiada de odalisca para agradar os estrangeiros, tampouco sua forma física condizia com nosso estereotipo ocidental. A beleza era, justamente, a naturalidade e a espontaneidade de seus movimentos.</p>
<p>Antes de dormir, em altas horas da madrugada, vale a pena conferir o imenso céu estrelado do deserto.</p>
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		<title>Veneza e a imprevisibilidade da vida</title>
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		<pubDate>Tue, 05 May 2009 03:01:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>EduardoCidade</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Às vezes me pergunto o quanto nossas vidas são tão previsíveis e imprevisíveis ao mesmo tempo. Por exemplo: você acorda, come o café da manhã, trabalha, almoça, regressa ao trabalho, retorna em casa, toma banho, janta, assiste televisão e dorme. Impreterível e cotidiano. Do nada, encontra o amor de sua vida ou sofre um grave [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Às vezes me pergunto o quanto nossas vidas são tão previsíveis e imprevisíveis ao mesmo tempo. Por exemplo: você acorda, come o café da manhã, trabalha, almoça, regressa ao trabalho, retorna em casa, toma banho, janta, assiste televisão e dorme. Impreterível e cotidiano. Do nada, encontra o amor de sua vida ou sofre um grave acidente. Inesperado. Não é engraçada essa dualidade, o imprevisível acorrer durante o previsível ou o contrário?</p>
<p>Se alguma das cidades das quais perambulei representasse esta dialética mais destacada do que outras, certamente seria <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Veneza" target="_blank">Veneza</a>.</p>
<p>Ah, encantadora Veneza. Cidade de amantes, de gôndolas charmosas, de incontáveis canais e monumentos. Quem não gostaria de passar uma lua de mel lá? Ou desfrutar uma pizza numa taberna categoricamente italiana? Não é isso Veneza? A mais e menos italiana das cidades da Itália? Diferente de tudo. Mama mia!</p>
<p>Minha relação com Veneza iniciou-se aos treze anos. Linda? Claro. Veneza e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Praga" target="_blank">Praga</a> talvez sejam as únicas cidades capazes de rivalizar com <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Paris" target="_blank">Paris</a>. Naquele momento, fui como turista pré-adolescente, acompanhando papai e mamãe. A estória vocês sabem. Bons hotéis e restaurantes, excursão, guias turísticos apresentando-me palácios renascentistas e passeios de gôndola por entranhas góticas. Tão turisticamente típico. Encantei-me por Veneza, assim como <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Floren%C3%A7a" target="_blank">Florença</a>. Talvez a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/It%C3%A1lia" target="_blank">Itália</a> fosse meu destino, porém, simplesmente a mulher da minha vida é Paris.</p>
<p>Anos mais tarde, já na condição de jovem adulto, retomei a cidade portuária onde, junto de Gênova, outrora monopolizou o Mediterrâneo.  Meu objetivo: fazer exatamente como o filho de Edmond Dantes, protagonista de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Conde_de_Monte_Cristo" target="_blank">“O Conde Monte Cristo”</a> de <span style="text-decoration: line-through;">Victor Hugo </span>Alexandre Dumas. Ou seja, passar o Carnaval no famosíssimo baile de máscaras. Acreditem, comprei uma! Óbvio. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Romeu_e_Julieta" target="_blank">Romeu e Julieta</a> não se conheceram assim em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Verona" target="_blank">Verona</a>? De máscaras e, lenta e minuciosamente, retirando-as aos poucos? Então. Quis imitar.</p>
<div id="attachment_1057" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://www.blogdoviajante.com/wp-content/uploads/2009/05/veneza-masks-05.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-1057" title="Máscaras para o tradicional baile de Carnaval de Veneza, Itália. Foto: BrunoLC" src="http://www.blogdoviajante.com/wp-content/uploads/2009/05/veneza-masks-05-150x150.jpg" alt="Máscaras para o tradicional baile de Carnaval de Veneza, Itália. Foto: " width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Máscaras para o tradicional baile de Carnaval de Veneza, Itália. Foto: </p></div>
<p>Cheguei em Veneza no sábado de Carnaval no início da tarde. Até achar um hotel barato, quilômetros de distância do centro&#8230; Custou muito tempo! Raciocínio lógico: “estou no Carnaval de Veneza e pularei até o amanhecer. Preciso dormir e acordarei de noite. Chego no centro em plena meia-noite, no pico da festa”.  Dormi, acordei dez da noite, vesti minha máscara, peguei um barco até a ilha principal e dirigi-me à &lt;a href=&#8221; /&gt;Piazza Sao Marco. Isto mesmo. A lendária praça com a maior quantidade de pombos do mundo. Nem <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Alfred_Hitchcock" target="_blank">Alfred Hitchcock</a>, no seu filme de pássaros assassinos, suportaria tantas aves. Correndo rumo à praça, avistei pessoas caminhando na direção contrária. Fiasco total. Veneza, durante o Carnaval, é uma desgraça! Não tem festa. Tudo é diurno, uns shows de acrobacia, de música e tal. De noite, morta. Entregue às moscas.</p>
<p>Pois é. Fui tão infeliz quanto o personagem dum conto de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Edgar_Allan_Poe" target="_blank">Edgar Allan Poe</a> que foi enterrado vivo em catacumbas durante este célebre carnaval.<br />
Atualmente trabalho numa companhia de cruzeiros. Meu cargo é um tanto indefinido. Mudo diariamente. O garoto que rodou o mundo que sequer suporta permanecer no mesmo país durante bastante tempo jamais conseguiria continuar na mesma posição. Foi a terceira vez em que encontrei Veneza. Linda como sempre. Veneza não mudou. Eu mudei. O turista pré-adolescente passou por Veneza. Assim como o jovem adulto ávido por festa. Agora, o trabalhador numa companhia de cruzeiros&#8230;</p>
<p>Três personagens distintos, em situações completamente diversas, na mesma cidade. Em cada uma destas, meu olhar à respeito de Veneza muda. Ela continua cheia de pombos, canais e gôndolas. Apenas eu a enxergo com outros olhos. Não é isso que fazemos inúmeras vezes em nossas vidas? Reconhecer o valor de determinado fato ou acontecimento posteriormente apenas por não compreender ou refletir no momento? Veneza é a prova viva disto para mim.</p>
<div id="attachment_1060" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.blogdoviajante.com/wp-content/uploads/2009/05/veneza-masks-04.jpg"><img class="size-medium wp-image-1060" title="Loja com máscaras à venda para o tradicional baile de Carnaval de Veneza, Itália. Foto: BrunoLC" src="http://www.blogdoviajante.com/wp-content/uploads/2009/05/veneza-masks-04-300x199.jpg" alt="Loja com máscaras à venda para o tradicional baile de Carnaval de Veneza, Itália. Foto: BrunoLC" width="300" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">Loja com máscaras à venda para o tradicional baile de Carnaval de Veneza, Itália. Foto: BrunoLC</p></div>
<div id="attachment_1059" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.blogdoviajante.com/wp-content/uploads/2009/05/veneza-03.jpg"><img class="size-medium wp-image-1059" title="Gôndolas pelos canais de Veneza, Itália. Foto: bbenvegnu" src="http://www.blogdoviajante.com/wp-content/uploads/2009/05/veneza-03-300x199.jpg" alt="Gôndolas pelos canais de Veneza, Itália. Foto: bbenvegnu" width="300" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">Gôndolas pelos canais de Veneza, Itália. Foto: bbenvegnu</p></div>
<div id="attachment_1058" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.blogdoviajante.com/wp-content/uploads/2009/05/veneza-02.jpg"><img class="size-medium wp-image-1058" title="Gôndolas pelos canais de Veneza, Itália. Foto: angel" src="http://www.blogdoviajante.com/wp-content/uploads/2009/05/veneza-02-300x225.jpg" alt="Gôndolas pelos canais de Veneza, Itália. Foto: angel" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Gôndolas pelos canais de Veneza, Itália. Foto: angel</p></div>
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		<title>A mãe e a esposa: uma disputa pacífica entre Rio e Paris</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Apr 2009 03:17:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>EduardoCidade</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Se me questionarem qual prefiro dentre todos os países visitados, hesitaria entre dois: o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil" target="_blank">Brasil</a> e a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7a" target="_blank">França</a>.  A pátria-mãe e a pátria-esposa. A mãe e a esposa. A primeira, cheia de problemas, chata, pragmática e problemática. Pega no seu pé e “enche o saco”. Mas é única e vitalícia, unida por laços sanguíneos, porém invisíveis. Não temos escolha: é a mãe e pronto! A segunda, a esposa, é a escolha do livre arbítrio, o tesão, o desejo, o ímpeto de descobrir a cada dia uma novidade. Quando enjoar, basta solicitar o divórcio. Assim enxergo o Brasil, a mãe; e a França, a esposa. </p>
<p>O <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_de_Janeiro" target="_blank">Rio de Janeiro</a> e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Paris" target="_blank">Paris</a>, sendo específico. O estereótipo: o Rio é a cidade do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A3o-de-queijo" target="_blank">pão-de-queijo</a> com requeijão e da cachaça com “pegação”. Dos botecos da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lapa_(bairro_do_Rio_de_Janeiro)" target="_blank">Lapa</a>, de <a href="http://www.chicobuarque.com.br/" target="_blank">Chico Buarque</a>, do Deus Carnaval, do pôr-do-sol no <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Arpoador" target="_blank">Arpoador</a>, dos quiosques da <a href="http://copacabana.com/camera25.shtml" target="_blank">Avenida Atlântica</a>. A Cidade Maravilhosa. Paris é <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Deleuze" target="_blank">Deleuze</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Michel_Foucault" target="_blank">Foucault</a> e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lacan" target="_blank">Lacan</a>. A cidade das artes, da <a href="http://www.notredamedeparis.fr/" target="_blank">Notredame</a>, do <a href="http://www.louvre.fr/llv/commun/home.jsp?bmLocale=en" target="_blank">Louvre</a>, dos cafés de <a href="http://www.montmartre-paris-france.com/english/" target="_blank">Montmartre</a>. Onde o queijo se chama <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Brie_(queijo)" target="_blank">brie</a> ou <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Roquefort" target="_blank">roquefort</a>. O vinho, por mais barato que seja, não deixa de ser do <a href="http://www.paysdelaloire.fr/" target="_blank">pays de la Loire</a>.  A rainha das soberanas; a cidade mais linda do mundo.</p>
<p> </p>
<div id="attachment_821" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.blogdoviajante.com/wp-content/uploads/2009/04/sambodromo2009.jpg"><img class="size-medium wp-image-821 " title="Desfile da Vila Isabel 2008, Sambódromo, Rio de Janeiro, RJ. Foto: sfmission.com" src="http://www.blogdoviajante.com/wp-content/uploads/2009/04/sambodromo2009-300x225.jpg" alt="Desfile da Vila Isabel 2008, Sambódromo, Rio de Janeiro, RJ. Foto: sfmission.com" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Desfile da Vila Isabel 2008, Sambódromo, Rio de Janeiro, RJ. Foto: sfmission.com</p></div>
<p>O Rio das festas, do <a href="http://diariodorio.com/category/sambodromo/" target="_blank">Sambódromo</a>, da <a href="http://www.flickr.com/search/?q=banda%20de%20ipanema" target="_blank">Banda de Ipanema</a> e do <a href="http://colunas.g1.com.br/aovivo/category/reveillon-no-rio/" target="_blank">Ano Novo em Copacabana</a>. Do jeitinho brasileiro, do malandro. A Paris dos museus, das grifes na <a href="http://www.flickr.com/photos/tags/champselysee/clusters/" target="_blank">Champs-Elysée</a>, das <a href="http://www.paris.fr/portail/culture/portal.lut?page_id=6806" target="_blank">Nuits Blanches</a>. Da elegância francesa, do artista.</p>
<p> </p>
<p>Qual destas bate mais forte no meu coração? Não sei. Quando estou numa sinto saudade insuportável da outra. Em Paris, lembro a letra de uma canção francesa, “jamais esquecerei meu país. Os amigos de infância e amores adolescentes”. No Rio, recordo de outra melodia, “Viagem, viagem! A cada lugar, uma descoberta”. No Rio, estou em casa, com meus amigos de longas datas, com a vida habituada desde minhas primeiras palavras. Aprendi a falar em português. Em Paris, sempre conheço gente nova, aprendendo mais do <a href="http://www.yourdictionary.com/savoir-vivre" target="_blank">savoir-vivre</a>. Aprendi a ser viajante em francês. Sou o festeiro das noitadas no Rio, sou o intelectual das livrarias em Paris. Meu apelido é brésilien na França e francesinho no Brasil.  </p>
<p>O Rio e Paris marcaram minha personalidade. Jamais meu sangue deixará de ser verde e amarelo, mas não nego que as cores do azul, do vermelho e do branco correm em suas veias. O Rio e Paris. A mãe e a esposa. Todo homem, cedo ou tarde, deixa a casa da mãe para viver com a esposa. A pátria que nasci e a que escolhi viver. No Rio, sinto nostalgia ao ver fotos de Paris. E vice-versa. Parece que nunca estou satisfeito. Nas madrugadas da <a href="http://br.webcams.travel/webcam/1223400429-Weather-Av.-Vieira-Souto-Rio-de-Janeiro,Brasil-Ipanema" target="_blank">Avenida Vieira Souto</a>, sinto falta do <a href="http://www.flickr.com/photos/tags/seine/" target="_blank">Rio Sena</a>. E o oposto: nas escadas da <a href="http://www.sacre-coeur-montmartre.com/" target="_blank">Sacré-Coeur</a>, admirando a <a href="http://www.discoverybrasil.com/guia_maquinas/maquinas_estructuras_intro/maquinas_estructuras_torre_eiffel/index.shtml" target="_blank">Torre Eiffel</a>, quero chorar relembrando o <a href="http://www.corcovado.org.br/" target="_blank">Cristo Redentor</a>. </p>
<p>O Rio da alegria, do calor latino, dos abraços e dois beijinhos da bochecha com desconhecidos. A Paris das revoluções, dos movimentos, da queda da Bastilha, de maio de 1968 no Quartier Latin.  O Rio do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernandinho_Beira-Mar" target="_blank">Fernandinho Beira-Mar</a> e a Paris de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Nicolas_Sarkozy" target="_blank">Sarkozy</a>. Se pudesse me dividir em dois e estar onipresente nas duas cidades simultaneamente&#8230;</p>
<p> </p>
<div id="attachment_822" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://www.blogdoviajante.com/wp-content/uploads/2009/04/notredame_paris_at_twilight.jpg"><img class="size-medium wp-image-822" title="Catedral de Notredame, Paris, ao entardecer." src="http://www.blogdoviajante.com/wp-content/uploads/2009/04/notredame_paris_at_twilight-300x299.jpg" alt="Catedral de Notredame, Paris, ao entardecer." width="300" height="299" /></a><p class="wp-caption-text">Catedral de Notredame, Paris, ao entardecer.</p></div>
<p>Amo, de carinho maternal, o sofrido e carismático povo brasileiro. Amo, de tesão e volúpia intelectuais, o utópico e transgressor povo francês. Sou um garoto de coração brasileiro e ideologias francesas. Se pudesse ser como as aves e migrar conforme as estações, não existiria inverno em minha vida. Mudaria do hemisfério norte ao sul seguindo o verão. Rio e Paris, sempre no auge de seus respectivos esplendores. O melhor da mãe e o melhor da esposa. O verão carioca das praias, dos campeonatos de surf, dos vendedores ambulantes na areia. O verão parisiense dos festivais de música, teatro e cinema. </p>
<p> </p>
<p>De que somos feitos senão das memórias do passado e planos para o futuro? A vida é como uma pirâmide. O passado é a base e o futuro, o pico. O Rio simboliza o passado e Paris, o futuro. Qual amo mais, afinal? Se analisarmos friamente e concordamos com <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sigmund_Freud" target="_blank">Freud</a>, a mulher matriz de um homem, aquela que ele sempre amará em primeiro lugar, mesmo em prol da esposa, não seria a mãe?</p>
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		<title>Estréia da Coluna do Eduardo Cidade: O viajante solitário</title>
		<link>http://www.blogdoviajante.com/2009/04/estreia-da-coluna-do-eduardo-cidade-o-viajante-solitario/</link>
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		<pubDate>Sun, 12 Apr 2009 23:19:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>EduardoCidade</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estimados leitores,
Inauguro essa coluna perguntando: qual o sentido de nossos atos? Por que acreditamos que determinadas situações são corretas e outras, equivocadas? Por que agimos como fazemos? Há uma regra? Uma lei invisível? Por que vivemos com um específico estilo de vida? Somos parecidos com nossos vizinhos?
A filosofia busca solucionar estas questões há milênios e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estimados leitores,</p>
<p>Inauguro essa coluna perguntando: qual o sentido de nossos atos? Por que acreditamos que determinadas situações são corretas e outras, equivocadas? Por que agimos como fazemos? Há uma regra? Uma lei invisível? Por que vivemos com um específico estilo de vida? Somos parecidos com nossos vizinhos?</p>
<p>A filosofia busca solucionar estas questões há milênios e a resposta continua distante. No máximo, chegamos a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ludwig_Wittgenstein" target="_blank">Ludwig Wittgenstein</a>, que afirma como perguntas do cunho “o que é belo?” ou “qual o sentido da vida?” são irrelevantes pois as interpretações sempre serão arbitrárias.</p>
<div id="attachment_737" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-737" title="Deserto do Saara, cujas infinitas dunas de areia mudam do dourado à púrpura conforme a luminosidade do sol." src="http://www.blogdoviajante.com/wp-content/uploads/2009/04/eduardocidade_desertosaara.jpg" alt="eduardocidade_desertosaara" width="300" height="443" /><p class="wp-caption-text">Deserto do Saara, cujas infinitas dunas de areia mudam do dourado à púrpura conforme a luminosidade do sol.</p></div>
<p>Apresento-me. Meu nome é Eduardo Cidade e sou um jornalista de 25 anos. Em buscas dessas respostas, de ver e compreender algo novo, passei a viajar ao redor do mundo. Sozinho e de mochila.</p>
<p>Aprendi que viajar é a maior escola da vida. Estar na estrada expande nossos horizontes! Conseguimos nos livrar da cegueira do cotidiano e perceber o mundo por outro ângulo. Mudamos junto com as paisagens porque nos vemos contrastando com esta, aumentando nossa autocrítica. Ao olhar o outro, aprendemos sobre nós mesmos. E esta identificação com o estrangeiro, de perceber como somos todos iguais e diferentes simultaneamente, não é o que o mundo mais precisa?</p>
<p>Nada oferece maior sensação de liberdade do que rodar os continentes e conhecer novas pessoas. Meu maior prazer é estar na estrada, aventurando-me pelo mundo. Povos, línguas, culturas&#8230; o quê faz a união de uma nação? E o que é felicidade para cada uma destas?</p>
<p>Estive em 34 países até então, passando mais de 5 anos, dos meus 25, no exterior. Não pararei tão cedo. É minha maior paixão. Amo a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7a" target="_blank">França</a>, o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil" target="_blank">Brasil</a>, a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gr%C3%A9cia" target="_blank">Grécia</a>, a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bol%C3%ADvia" target="_blank">Bolívia</a>, o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Canad%C3%A1" target="_blank">Canadá</a>, o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Marrocos" target="_blank">Marrocos</a>, a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rom%C3%AAnia" target="_blank">Romênia</a>, a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Finl%C3%A2ndia" target="_blank">Finlândia</a>, o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Chile" target="_blank">Chile</a>, os <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Estados_Unidos" target="_blank">Estados Unidos</a>, a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tun%C3%ADsia" target="_blank">Tunísia</a>, a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cro%C3%A1cia" target="_blank">Croácia</a>&#8230;</p>
<p>Atravessei o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Arizona" target="_blank">deserto do Arizona</a> de balão e o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Grand_Canyon" target="_blank">Grand Canyon</a> de helicóptero. Escalei <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Machu_Picchu" target="_blank">Machu Picchu</a>, o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Partenon" target="_blank">Pathernon de Atenas</a> e o vulcão <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Monte_Etna" target="_blank">Monte Etna</a>. A <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Torre_Eiffel" target="_blank">Torre Eiffel</a>, a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Est%C3%A1tua_da_Liberdade" target="_blank">Estátua da Liberdade</a> e o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Big_Ben" target="_blank">Big Ben</a>: passei a virada no ano nestas três cidades apenas para descobrir que nenhuma se iguala à <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Copacabana" target="_blank">Copacabana</a> em animação. A louca <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Amsterd%C3%A3" target="_blank">Amsterdã</a>, a magistral <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Praga" target="_blank">Praga</a>, a bucólica <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bucareste" target="_blank">Bucareste</a>, a gélida <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Oslo" target="_blank">Oslo</a>, a boêmia <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Buenos_Aires" target="_blank">Buenos Aires</a>. Por vezes algumas horas observando a paisagem no ônibus nos faz ver detalhes tão impressionantes que passam desapercebidos. As camponesas arando a terra da verdejante <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Transilv%C3%A2nia" target="_blank">Transilvânia</a>. Conheci cosmopolitas e trogloditas. Príncipes e mendigos.</p>
<p> </p>
<p>Peguei carona de moto em Mykonos e de caminhão no Vale Sagrado de Cuzco. Aluguei um carro em Corfu, ilha de Odisseu, e me perdi. A rua era estreita. De um lado, uma falecia. De outro, vacas.  Na frente, um bode encalhado. Atropelei uma ovelha de bicicleta no sul da Tunísia e fui xingado pela pastora. Fui amaldiçoado por uma cigana em Marrakech, atacado por um psicopata na estação de trem de Londres e roubado no Carnaval folclórico de Oruru (após tive o privilégio de ser alojado por uma humilde família boliviana e conhecer seu cotidiano).</p>
<p>Dormi na rua, em plena praça pública, em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Barcelona" target="_blank">Barcelona</a> e na <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sic%C3%ADlia" target="_blank">Sicília</a>. Estação de trem ou de ônibus já é de praxe: Medonza, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Floren%C3%A7a" target="_blank">Florença</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Roma" target="_blank">Roma</a>&#8230; Dormi no chão do corredor em navios enquanto atravessa da Finlândia para <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Su%C3%A9cia" target="_blank">Suécia</a>.</p>
<p>Vi as <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cataratas_do_Igua%C3%A7u" target="_blank">cataratas do Iguaçu</a> e as <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cataratas_do_Ni%C3%A1gara" target="_blank">quedas de Niagara</a>, no Canadá. Senti vontade de chorar de emoção diante os mais lindos crepúsculos que vi: em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Krk" target="_blank">Krk</a>, na Croácia, enquanto atravessava a ilha de moto; no <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lago_Titicaca" target="_blank">Lago de Titicaca</a>, Bolívia, enquanto remava uma canoa e, o mais belo de todos, no <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Deserto_do_Saara" target="_blank">Deserto do Saara</a>, cujas infinitas dunas de areia mudam do dourado à púrpura conforme a luminosidade do sol.</p>
<p>A maior de todas as belezas: a beleza do mundo. Diante da imensidão desses espetáculos, impossível não contemplar o quanto nossos problemas e crenças são pequenos.<br />
Não há melhor ou pior, são simplesmente diferentes. No entanto, mais enriquecedor do que conhecer lugares, é conhecer pessoas. De todas as etnias, nacionalidades, classes sociais, religiões, sexualidades e partidos políticos. Cada vez que conheço alguém tão distante de mim, sempre questiono: “o que faz essa pessoa se levantar todas as manhãs?”.</p>
<p>Eis nosso maior patrimônio: a própria humanidade.</p>
<p>Apesar das guerras e das discórdias, quanto mais viajo, maior o orgulho que sinto da espécie humana. “Já houve melhores tempos, mas este é o nosso”, declarava <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean-Paul_Sartre" target="_blank">Jean-Paul Sartre</a>. Nosso planeta é fantástico e, nesta coluna, convido vocês a descobri-lo comigo.</p>
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