A mãe e a esposa: uma disputa pacífica entre Rio e Paris 4
Se me questionarem qual prefiro dentre todos os países visitados, hesitaria entre dois: o Brasil e a França. A pátria-mãe e a pátria-esposa. A mãe e a esposa. A primeira, cheia de problemas, chata, pragmática e problemática. Pega no seu pé e “enche o saco”. Mas é única e vitalícia, unida por laços sanguíneos, porém invisíveis. Não temos escolha: é a mãe e pronto! A segunda, a esposa, é a escolha do livre arbítrio, o tesão, o desejo, o ímpeto de descobrir a cada dia uma novidade. Quando enjoar, basta solicitar o divórcio. Assim enxergo o Brasil, a mãe; e a França, a esposa.
O Rio de Janeiro e Paris, sendo específico. O estereótipo: o Rio é a cidade do pão-de-queijo com requeijão e da cachaça com “pegação”. Dos botecos da Lapa, de Chico Buarque, do Deus Carnaval, do pôr-do-sol no Arpoador, dos quiosques da Avenida Atlântica. A Cidade Maravilhosa. Paris é Deleuze, Foucault e Lacan. A cidade das artes, da Notredame, do Louvre, dos cafés de Montmartre. Onde o queijo se chama brie ou roquefort. O vinho, por mais barato que seja, não deixa de ser do pays de la Loire. A rainha das soberanas; a cidade mais linda do mundo.
O Rio das festas, do Sambódromo, da Banda de Ipanema e do Ano Novo em Copacabana. Do jeitinho brasileiro, do malandro. A Paris dos museus, das grifes na Champs-Elysée, das Nuits Blanches. Da elegância francesa, do artista.
Qual destas bate mais forte no meu coração? Não sei. Quando estou numa sinto saudade insuportável da outra. Em Paris, lembro a letra de uma canção francesa, “jamais esquecerei meu país. Os amigos de infância e amores adolescentes”. No Rio, recordo de outra melodia, “Viagem, viagem! A cada lugar, uma descoberta”. No Rio, estou em casa, com meus amigos de longas datas, com a vida habituada desde minhas primeiras palavras. Aprendi a falar em português. Em Paris, sempre conheço gente nova, aprendendo mais do savoir-vivre. Aprendi a ser viajante em francês. Sou o festeiro das noitadas no Rio, sou o intelectual das livrarias em Paris. Meu apelido é brésilien na França e francesinho no Brasil.
O Rio e Paris marcaram minha personalidade. Jamais meu sangue deixará de ser verde e amarelo, mas não nego que as cores do azul, do vermelho e do branco correm em suas veias. O Rio e Paris. A mãe e a esposa. Todo homem, cedo ou tarde, deixa a casa da mãe para viver com a esposa. A pátria que nasci e a que escolhi viver. No Rio, sinto nostalgia ao ver fotos de Paris. E vice-versa. Parece que nunca estou satisfeito. Nas madrugadas da Avenida Vieira Souto, sinto falta do Rio Sena. E o oposto: nas escadas da Sacré-Coeur, admirando a Torre Eiffel, quero chorar relembrando o Cristo Redentor.
O Rio da alegria, do calor latino, dos abraços e dois beijinhos da bochecha com desconhecidos. A Paris das revoluções, dos movimentos, da queda da Bastilha, de maio de 1968 no Quartier Latin. O Rio do Fernandinho Beira-Mar e a Paris de Sarkozy. Se pudesse me dividir em dois e estar onipresente nas duas cidades simultaneamente…
Amo, de carinho maternal, o sofrido e carismático povo brasileiro. Amo, de tesão e volúpia intelectuais, o utópico e transgressor povo francês. Sou um garoto de coração brasileiro e ideologias francesas. Se pudesse ser como as aves e migrar conforme as estações, não existiria inverno em minha vida. Mudaria do hemisfério norte ao sul seguindo o verão. Rio e Paris, sempre no auge de seus respectivos esplendores. O melhor da mãe e o melhor da esposa. O verão carioca das praias, dos campeonatos de surf, dos vendedores ambulantes na areia. O verão parisiense dos festivais de música, teatro e cinema.
De que somos feitos senão das memórias do passado e planos para o futuro? A vida é como uma pirâmide. O passado é a base e o futuro, o pico. O Rio simboliza o passado e Paris, o futuro. Qual amo mais, afinal? Se analisarmos friamente e concordamos com Freud, a mulher matriz de um homem, aquela que ele sempre amará em primeiro lugar, mesmo em prol da esposa, não seria a mãe?
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Eduardo Cidade, 25, é jornalista e percorreu mais de trinta países. Atualmente se aventura pelas bandas da Índia, Tanzânia, Moçambique e outros lugares bizarros e desconhecidos na sua tentativa em tornar-se antropólogo. Sempre viajou regularmente desde a infância, bem turista-way-of-life, mas aos 20 foi morar sozinho na França durante oito meses. Não voltou o mesmo e desde então adora percorrer o mundo com mochila nas costas.















Gostei de tudo por aqui! Parabéns pelo blog! Vou passar sempre por aqui. Abs!
Koé tu não visita o ayakamanakam não é?
ayakamanakam tbm está relacionado a viagem!
ACHEI TUDO MUITO ROMANTICO MAIS A REALIDADE E OUTRA , A BELEZA QUE VC FALA DE PARIS E DO BRASIL ESCONDE UMA VERDADES E UMA MEMORIA CHEI DE MISERIAS E DE CRUELDADES, ACHO ENGRAçADO VC FALAR QUE TEM UM CORAçAO BRASILEIRO E IDIOLOGIAS FRANçesas, VC SABIA QUE NAS DITADUARAS DE AMERICA LATINA A FRANCA PREPARO A OS TORTURADORES DA ESCOLA DAS AMERICAS DE OS EEUU? CON TECNICAS DE TORTURA QUE ELES TINHAM DESENVOLVIDO NA ARGELIA E POR OUTRO LADO DABAM ASILO POLITICO, A OS REVOLUCIONARIOS, VC SABE COMO FOROM ORGANIZADAS AS CITES EN PARIS? VC SABE QUE ENCUANTO SE REPRESENTABA UMA DAS PECAS DE TEATRO DE MONTESQUIUE ,QUE FALA DO MASACRE DOS INDIGENAS POr OS PORTUGUESES E ESPANHOLES OS NEGROS DORMIAN ENCADENADOS Na França, sirvindo a toda acorte que aplaudia e se conmovia da crueldade dos espanoes et portugueses,?, que ideologia da hipocrecia, cual é o coraçao do Brasileiro?, aquele que tem que crrear cuotas para que os negros brasileros poçan entrar nas univercidades o o romantismo das novelas da globo , os beijos e abraços do TUDO BEM , acredito que vc é muito joven é ve abeleza do mundo, o que é maravilioso , mais seou coraçao é suas ideologias sao so de vc, a capacidade de amar e de pensar con amor a natureza e pela sociedade nace en diferentes paises e sao poucas as pessoas que fazem de sua vida un himno e uma maneira devivir conciliando a solidaridade e o desenvolvimento.
Que a verdaderamente muda as ideologias agora?
Disculpe me pelo meou portugues primario
boa tarde estou pretendendo ir para europa em junho com minha esposa gostaria de saber se e melhor comprar desses pacotes com os passeios inclusos ou montar minha programação e comprar por lar lem brando que so falamos o poruguês e é a nossa primeira viagem para o exterior