Marrocos, uma terra vibrante e de muitos contrastes 2

Chapéu típico da cidade vermelha. Ao fundo, a principal mesquita de Marrakech. Foto: Claudio Martins
Falar de Marrocos para mim é muito fácil, e eu vivo falando sempre, seja com amigos, colegas de trabalho, em comunidades na internet. Eu sou simplesmente apaixonado por Marrocos.
Morei durante alguns meses e já retornei duas vezes depois disso. Sempre com um roteiro diferente, com uma experiência diferente, um sentimento diferente. Marrocos te proporciona isso tudo em apenas uma viagem. É impossível ver tudo em apenas uma viagem. Tem tanta coisa para fazer e o sentimento é em geral de paz tão grande, que você vai querer voltar várias e várias vezes, assim como eu.
Marrocos fica na África do Norte, tem um população de aproximadamente 34 milhões. A capital é Rabat (onde morei), e a maior cidade é Casablanca (a capital financeira do país). Fica na costa com o oceano Atlântico e faz “divisa” com a Espanha pelo Estreito de Gibraltar no Mar Mediterrâneo.
A lingua oficial é o Arábe, mas na capital Rabat é possível falar francês e um pouco de espanhol. Nas cidades mais ao norte, o espanhol é largamente falado pela proximidade com a Espanha e o número de imigritantes e turistas que entram por esta borda. Nas cidades mais ao sul, com exceção de Marrakech, vai ser difícil se comunicar fluentemente sem falar Arábe. Mas nada disso tira a impressionante cortesia e amizade que todos os Marroquinos tratam seus visitantes.
Marrocos é realmente uma fascinante mistura cultural: bérberes, arábes, judeus, muçulmanos, africanos e europeus. Hassan II, antigo rei de Marrocos, comparou o país a uma árvore com suas raízes se espalhando profundamente pelo coração da África.
Marrocos está mudando rapidamente em decorrência da modernização e da democracia. Apesar de manter sua cultura viva com todo afinco, é possível conviver com o que há de mais moderno de tecnologia (3G – meu trabalho lá! -, Banda Larga, TVIP, etc), conforto com as melhores marcas de hotéis 5 estrelas do mundo (e eu passei por todos eles em Rabat), carros de última geração… e do outro lado, muita gente pobre, contrabando e falsificação de marcas made in china.
Uma das coisas que mais me impressionaram e fizeram entender a vida de forma um pouco diferente era o povo pobre de Marrocos. Diferentemente de muitos daqui do Brasil, que só se lamentam e vivem infelizes, esse povo de Marrocos, simplesmente leva a vida de forma tranquila, sem tirar o sorriso do rosto, sem deixar a diferença social ser um impecilho para a felicidade. Foi realmente um aprendizado sobre outras formas de entender o ser humano.
Hospitaleiros, amigos, sinceros, bons negociadores. São apenas algumas das inúmeras qualidades que poderia citar de um marroquino. São ótimos vendedores e negociadores. Pela seu papel no comércio e política na história em legendárias cidades como Fez e Meknès, eles possuem o dom natural de negociantes. Portanto, esteja sempre atento!
Dica básica: sempre, sempre! Sempre o preço em um comércio popular (de medinas, por exemplo) vai ser bem maior que o valor real. Esteja atento! Nunca pague o primeiro preço, e uma boa tática é já oferecer 40% do preço. É uma verdadeira guerra, de ele oferecer um preço maior e você ir reduzindo. No início isso parece um saco, um tédio e você só quer se livrar logo do vendedor, mas acredite, depois de um tempo você fica fera e isso se torna um jogo, pra ver quem sai ganhando. Mas eu sempre tive a sensação de sair perdendo, mesmo depois de ter achado que consegui fazer um negócio fantástico! Erro meu, logo depois vinha um conhecido que tinha comprado a mesma coisa por um preço menor. Coisas de Marrocos!
O Chá de Hortelã é uma constante em qualquer momento em Marrocos. Qualquer lugar que você for, seja você recebido na casa de um marroquino, você será oferecido um Chá de Hortelã. É uma ofensa não aceitar, mas como não aceitar, se é uma delícia? Além de ser muito gostoso, faz super bem para o estomago. Com sua comida super temperada e em diversos lugares com alguns itens de falta de higiene (que alguns poderão ficar com nojo – os mais frescos, vai?), inevitavelmente na primeira semana tem-se problemas estomacais leves. Chá de Hortelã é um santo remédio. Sábios Marroquinos!
Diversão e baladas eu encontrava em Marrakech, um bom lugar pra morar eu tinha em Rabat, cultura e história em Fez e Meknès, calma e tranquilidade em Essaouira e Chefchaouen e se eu quisesse me sentir em uma cidade gigantesca, eu ia pra Casablanca, com seu trânsito intenso, correria e sujeira. Cada cidade com uma cor, com um ritmo, com uma história diferente. Era impossível descrever a melhor, pela diferença gigantesca entre uma e outra. Todas (incluindo não citadas) devem ser conhecidas.
Marrocos também tem parte do deserto do Saara, uma das viagens mais interessantes que eu tive o privilégio de fazer. Desci toda a costa de carro, cruzei todas as montanhas do Atlas, de uma ponta a outra do país, com cenários impressionantes, de ter que ficar parando a toda a hora para contemplar e perder a respiração, com o que temos aqui de privilégio no mundo e não conhecemos. São cenários impressionantes mesmo. Eu recomendo fortemente esse roteiro.
Tem tanta coisa para falar de Marrocos, que também não daria para falar somente neste post. Então eu deixo combinado com você, ao longo dos próximos dias, uma série de posts sobre Marrocos e suas cidades, além é claro sobre outros lugares e assuntos, serão publicados aqui no Blog do Viajante.
Deixa seu comentário aí dizendo sobre o que você acha de Marrocos ou sobre o que você tem curiosidade!
Até o próximo post!
Mais fotos de Marrocos
Sobre Marrocos
Marrocos é um país localizado no extremo noroeste da África, estando limitado a norte pelo Estreito de Gibraltar (por onde faz fronteira com a Espanha), por Ceuta, pelo mar Mediterrâneo e por Melilha, a leste e a sul pela Argélia, a sul pelo Saara Ocidental (território que controla) e a oeste pelo Oceano Atlântico. A capital do país é a cidade de Rabat. É o único país do continente africano que não faz parte da União Africana.
Marrocos caracteriza-se por ser um país montanhoso, destacando-se duas cadeias montanhosas: o Rif, com a orientação noroeste-sudeste, que faz, geologicamente, parte das cordilheiras do Sul da Península Ibérica, e que tem como ponto mais alto o monte Tidirhine com 2456 m; e o Atlas, no Centro do país, com a orientação leste-oeste, cujo ponto mais alto é o monte Tubkal (4165 m). A leste, situa-se a bacia do Muluya, uma região de terras baixas, semiárida, criada pela erosão do rio Muluya. Mais a leste e a sudeste, encontram-se os altos planaltos, com cerca de 1000 metros de altitude. No Sul, iniciam-se as terras áridas do deserto do Saara.
Fonte: Wikipedia – http://pt.wikipedia.org/wiki/Marrocos
Mapa de Marrocos
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Muito legal seu Blog!
É o olhar de um brasileiro pelo mundo!
Parabéns!
Eu também estive em Marrocos, a empresa onde eu trabalhava (Dromedaris), enviou-me durante uns tempos para que eu fizesse inspecções às mercadorias que estavam fazendo para nós, nas várias fábricas de calçado. Se não fosse a saudade do meu marido e restante familia, tudo seria uma maravilha.
Adorei as pessoas com quem convivi, adorei a cultura, comida etc. Gostava de lá voltar desta vez com o meu marido. Os pontos negativos que encontrei foi o transito caótico, acho que não consigo conduzir ali, mas do resto adorei. Nem todos os árabes são ladrões, terroristas, fanáticos, também encontramos gente muito boa, como em qualquer parte do mundo.
Aconselho a visitarem Marrocos e que vejam esta cidade com olhos de ver.